Monday, June 4, 2012

O estigma da Eletroconvulsoterapia -ECT

Dr. Moacyr Rosa é entrevistado pelo jornal paranaense "Folha de Londrina".

A entrevista é sobre o estigma da Eletroconvulsoterapia - ECT.

Confira abaixo a reportagem:

ECT só é aplicada em casos graves Aos 67 anos, Vânia (nome fictício) não consegue esquecer o terror que viveu quando era jovem. Com uma vida marcada por traumas de abuso sexual na infância que acarretaram uma depressão profunda, passou por diversos tratamentos incluindo várias internações. A passagem pelos hospitais psiquiátricos para ela foi tão negativa que somente consegue lembrar dos episódios com choque elétrico. Ele (médico) entrava no quarto bem cedinho, pois tínhamos de estar em jejum. Prendiam meus braços na cama, colocavam uma toalha na boca e um monte de fios na cabeça. Daí para frente era um pesadelo, conta. A experiência de Vânia, entretanto, não é isolada. Muitas pessoas passaram por procedimentos semelhantes em décadas anteriores.


Apesar de não ter sido banido da prática médica, atualmente, o eletrochoque é realizado de forma umanizada, como define o psiquiatra MOACYR ROSA, diretor do Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação (IPAN). Segundo ele, a técnica foi um tratamento excelente, mas utilizado de maneira indiscriminada. Foi aplicado de forma agressiva e não terapêutica, por isso o estigma que o acompanha até hoje, pontua. Em alguns casos, o médico utiliza a técnica chamada de eletroconvulsoterapia (ECT), que consiste em estimulação cerebral por corrente elétrica alternada.

 É basicamente o mesmo princípio do eletrochoque. A ECT, porém, é realizada de forma que o paciente fique totalmente tranquilo. Ele recebe anestesia e sua reação é acompanhada durante todo o procedimento, explica, acrescentando que não há qualquer tipo de corte ou incisão. O médico trabalha com a técnica desde 1991.

De acordo com Rosa, entre as vantagens do tratamento, estão não ser invasivo e obter resultado muito mais rápido. Uma pessoa em crise demora até quatro semanas para ter algum resultado com medicamentos. Com a ECT, em uma semana já se pode observar a melhora. Um dos efeitos colaterais, no entanto, é a perda de memória recente.

Juntamente com a evolução dos aparelhos, nosso desafio é manter a eficácia do tratamento sem qualquer prejuízo ao paciente. A ECT, conforme o especialis ta, só é aplicada com casos graves de pacientes que não respodem satisfatoriamente aos tratamentos farmacológicos. 90% dos pacientes têm uma melhora significativa com a técnica; saem da crise e conseguem voltar a ter uma vida normal.

Contudo, a falta de conhecimento, aliada ao preconceito, para Rosa, dificulta que doentes severos tenham a chance de um tratamento mais eficaz. Depressão é uma doença grave e até fatal, pois pode acabar em suicídio; não é somente uma tristeza. Tristeza é só um sintoma, avalia.

(M.T.) Fonte: FOLHA DE LONDRINA, domingo, 11 de março de 2012, Reportagem 9.

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