Monday, November 11, 2013

A vergonha dos antidepressivos. Por Juliana Doretto


 Nem todos os que tomam esses remédios querem viver sem sofrimento: o que não querem é o sofrimento sem vida.  Lisboa

Todos os dias, de manhã, depois do café, eu procuro uma cartela prateada que fica em cima de meu criado-mudo. Religiosamente, tomo um comprimido. É um antidepressivo. Não tenho vergonha. Estou em tratamento, acompanhada por médico e psicólogo. Não sou mais fraca do que ninguém por ter ingerir a pílula. Não quero tomá-lo para sempre, mas não quero abandoná-lo apenas para provar a alguém que dou conta de tudo. Porque eu não dou. 

Em dois meses, meu (ex-)marido me pediu o divórcio de maneira repentina e perdi meu avô, que morreu em casa, após ter ficado gravemente doente durante meses. Dois acontecimentos muito intensos, em período curto de tempo. Procurei ajuda na terapia. Cheguei a ter sessões duas vezes por semana. Um dia, achando que já estava melhor, quis ficar sozinha em casa. Chorei por horas seguidas, passando a noite em claro. Era um desespero sem fim. Dificuldades para respirar. Mãos tremendo. De manhã, me arrumei e fui sozinha ao pronto-socorro. Não sei como cheguei lá. Precisava me acalmar, nem que fosse de modo artificial, com a ajuda de remédios. Nesse dia, percebi, com o auxílio também da terapia, que necessitava mais do que conversa. 

Eu estava doente. Mentalmente doente. Houve um desequilíbrio aterrorizador, que me tirou do prumo, que provocou uma queda abissal. Além da crise que me levou ao pronto-socorro, emagrecia continuamente e não tinha poder nenhum de concentração. Escolhi o psiquiatra pelo currículo: procurei alguém com boa formação acadêmica e experiência clínica, mas também pesquisador. Fui orientada a tomar um antidepressivo, com dosagem mínima, e a reforçar os exercícios físicos, além de continuar com a terapia. Faço tudo isso, há quase um ano. 

Mas a pílula não me fez parar de sofrer. Chorei muito pela tristeza das perdas, pelo desprezo que senti, pelas mudanças grandes que me assolaram. Passei por períodos de angústia, nervosismo, pensamentos confusos. Houve dias em que não tive vontade de sair de casa, e não saí. Ainda passo por tudo isso, mas em “dosagens” cada vez menores. Voltei a ter mais controle sobre minha vida: tenho rotina de trabalho novamente, pude me mudar para Lisboa (por conta do doutorado), consigo ficar sozinha, lido melhor com a tristeza que ainda vem. 

Há pessoas que procuram antidepressivos para tentar evitar a dor, e há médicos que indicam esses medicamentos de modo desnecessário? Certamente, pelo que lemos na imprensa. Mas nem todos os que tomam esses remédios estão fugindo do sofrimento. Eles querem escapar da sensação da falta de ar, do coração acelerado, do choro que não passa nunca, do medo sem motivo que vira companheiro de vida. São pessoas que não querem viver sem sofrimento: o que não querem é o sofrimento sem vida. 

Escrevi este texto porque ouço com certa frequência a pergunta: “Ainda toma remédio?”. E, algumas vezes, a questão vem acompanhada de sugestões: “Mas por que você não faz mais exercício, para parar com isso?”. “Já tentou ficar sem tomar?”. “Isso não é mania do médico, não?”. Bombardeada com perguntas assim e me sentindo mais inteira, pedi a meu psiquiatra que tentássemos reduzir o remédio. Ele acatou minha decisão, de forma experimental. Foram dias horríveis... 

Eu ainda não estou pronta. Mas estou no caminho. O medicamento me ajuda nisso, assim como a terapia, os exercícios, a família, os amigos, a música, o trabalho, o amor... E também este texto, e todos os outros que venho escrevendo neste espaço. E, por isso, agradeço a sua leitura. 

perfil Juliana Doretto - blog da Ruth (Foto: ÉPOCA)

 

 

 


Friday, September 6, 2013

PSICOFOBIA É CRIME


Psiquiatras reclamam de tratamento com eletrochoque em Paloma de "Amor à Vida

06/09/2013 - 18h43

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgou nesta sexta-feira (6) uma nota de esclarecimento voltada à Globo.
DE SÃO PAULO
No documento, a associação reclama da forma como a novela "Amor à Vida" está retratando o tratamento psiquiátrico da protagonista Paloma (Paolla Oliveira).
"A condução do tratamento psiquiátrico dado à personagem não corresponde à realidade", diz o texto, que chama atenção para a terapia de eletrochoque à qual a personagem será submetida nos próximos capítulos.
Segundo a entidade, o tratamento de eletrochoque "é um procedimento seguro, eficaz e indolor" e só tem indicação para pacientes que não tiveram resultados satisfatórios com a medicação.
A associação reclama ainda que a psiquiatra da novela deu um diagnóstico baseado em "achismo" e que o folhetim pode reforçar a "psicofobia" da sociedade, descrita como um preconceito contra portadores de transtornos e deficiências mentais.
Por fim, a entidade se coloca à disposição da emissora para consultoria e para "que não venha a ferir o ofício do médico psiquiatra nem desrespeitar os 46 milhões de pacientes psiquiátricos do Brasil".

Tuesday, September 3, 2013

"Nova Abordagem para a depressão", The New York Times


"Nova Abordagem para a depressão", The New York Times

 Artigo publicado no The New York Times

Por Roni Caryn Rabin

Foto com Dr. Alan Manevitz e sua assistente, Joanna Robben, durante uma sessão de EMT.

Martha Rhodes teve a primeira crise de depressão aos 13 anos de idade. Por volta dos 50 anos, ela tinha tomado quase todos os antidepressivos existentes, incluindo Zoloft, Lexapro, Paxil, Effexor, Lamictal, Seroquel e Abilify. Alguns funcionavam por um tempo, e, a maioria, tinha efeitos colaterais.

Depois de uma tentativa de suicídio em 2009, ela tentou algo radicalmente diferente: a estimulação magnética transcraniana (EMT), ou do inglêsTranscranial Magnetic Stimulation (TMS). É um tratamento que utiliza pulsos magnéticos para estimular regiões do cérebro envolvidas na regulação do humor. Ao contrário da eletroconvulsoterapia (ECT) ou eletrochoque, que também é usado para tratar a depressão, a EMT não gera convulsão.

O tratamento durou 6 semanas e pouco mais de meia hora por dia. Eu ficava sentada em uma cadeira com um ímã afixado no lado esquerdo da minha cabeça. Após quatro semanas, "Eu acordei e havia algo diferente", disse a Sra. Rhodes, que escreveu um livro, "3000 Pulsos Later" descrevendo o tratamento. "Eu me senti mais leve. Eu acordei pela manhã e não queria mais morrer. "

Para a Sra. Rhodes, de 63 anos, uma ex-publicitária de alto escalão em Danbury, Connecticut, tratamento com EMT foi transformador, e ela não precisa mais de antidepressivos. Mas há ainda muitas perguntas sobre quantos pacientes respondem a EMT, são necessárias sessões diárias durante várias semanas, com custo elevado e muitas vezes não é coberto pelo plano de saúde.

O tratamento é realizado no consultório, o paciente fica sentado em uma poltrona com um grande ímã posicionado no lado esquerdo da cabeça. A ideia é que o campo magnético pulsátil, semelhante ao utilizado em RNM, cria uma corrente elétrica na superfície do cérebro restabelecendo o humor do paciente.

Nos EUA, a EMT é aprovada especificamente para pacientes com depressão refratária ou que não toleram os efeitos colaterais dos medicamentos, tais como ganho de peso e perda da libido. Muitos desses pacientes estão desesperados por tratamentos alternativos, mas não é certo que a EMT possa melhorar.

"Embora já esteja bastante claro que a EMT é eficaz em uma porcentagem de pacientes com depressão, ainda não é muito fácil predizer quais são os pacientes que melhoram", disse Dr. Steven J. Zalcman, o diretor clínico da agência de pesquisa em neurociência do Instituto Nacional de Saúde Mental.

Diretrizes práticas da Associação Psiquiátrica Americana (no inglês American Psychiatric Association - APA) sugerem que a EMT confere "de pequeno a moderado benefício", e que os resultados dos ensaios clínicos são misturados. "O copo está meio cheio ou meio vazio, depende de onde você está vindo", disse Dr. Mark S. George, um professor da Universidade de Medicina da Carolina do Sul, em Charleston.

Dr. George foi pesquisador no primeiro ensaio clínico randomizado com EMTr para tratar depressão resistente. O estudo descobriu que quase três vezes mais pacientes entraram em remissão após o tratamento EMTr verdadeira, em comparação com aqueles que receberam EMTr placebo. Mas o número foi pequeno: apenas 14 % dos pacientes tratados obtiveram remissão, enquanto 5% no grupo placebo.

Uma nova modalidade de tratamento, a EMT profunda, desenvolvida pela empresa israelense Brainsway e aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) deste ano, trouxe uma maior taxa de resposta em um ensaio clínico randomizado: 30% dos 233 pacientes obtiveram remissão, enquanto que 14,5% do grupo placebo.

Os pesquisadores da Braisnway alegam que o dispositivo tem como alvo regiões mais profundas do cérebro, como o núcleo accumbens, que desempenha um papel fundamental no circuito de recompensa do cérebro.

Segundo especialistas e o que parece mais próximo da realidade, os estudos que associaram antidepressivos com EMT, apresentaram taxas de resposta significativamente maiores do que no ensaio clínico conduzido pelo Dr. George. Um estudo recente e inédito, financiado por fabricantes de equipamentos, acompanharam os pacientes por um ano e encontraram um efeito duradouro, em cerca de metade dos pacientes que mantiveram melhora por 12 meses.

A vantagem da EMT é por não ser um tratamento invasivo e , ao contrário das medicações, parece ter poucos efeitos colaterais, apenas desconforto ou dor leve no no local do tratamento, ou dores de cabeça ocasional. No entanto, poucos pacientes abandonam o tratamento por causa da dor.

Efeitos a longo prazo não são conhecidos, mas a EMT não afeta a memória e a cognição, como eletroconvulsoterapia (ECT). Em casos raros, pode causar convulsões.

Em uma demonstração de uma sessão EMT no consultório do Dr. Alan Manevitz em Manhattan, a paciente, uma mulher de 55 anos que pediu para não ser identificada para preservar sua privacidade, se sentou em uma cadeira, enquanto um pequeno ímã era colocado sobre sobre o córtex pré-frontal do cérebro e apoiado por um braço mecânico.

Não houve anestesia ou sedação. O paciente podia ler ou assistir TV, mas não adormecer. Cochilar parece improvável, uma vez que o tratamento faz um som rat-a -tat estridente como se fosse um pica-pau, durante quatro segundos, seguidos por 26 segundos de silêncio antes de continuar. A sessão diária dura cerca de 37 minutos.

A paciente, recebeu o tratamento completo de EMT e agora está fazendo tratamento de manutenção, pois ela apresentou remissão do quadro depressivo grave e de longa data.
"Eu nem percebi que eu escorreguei ", disse ela . " Eu gostaria de ter feito isso há muito tempo . "

Uma versão deste artigo foi publicada na imprensa em 07/02/2013, na página D6 da edição de Nova Iorque, com a manchete: Nova Abordagem para a depressão.




 

Confira a notícia no The New York Times 



Thursday, August 15, 2013

Dr. Moacyr e Dra. Marina, diretores do IPAN, lançam 2ª edição do Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria



Dr. Moacyr e Dra. Marina, diretores do IPAN, lançam 2ª edição do Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria  
 Este Guia Básico contém os aspectos práticos fundamentais para a realização da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) com finalidade terapêutica em transtornos psiquiátricos. Com linguagem clara e didática, os autores, ambos especialistas em neuroestimulação com anos de experiência na técnica, nos oferecem um texto que é fundamental para o médico que quer realizar o procedimento de forma segura e eficaz. Atualizado de acordo com o mais recente consenso de especialistas e em conformidade com a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), o livro é referência obrigatória para aqueles que desejam aprimorar seu conhecimento no assunto.

Editora Sarvier

Thursday, August 8, 2013

3000 pulsos depois - Martha Rhodes


Martha Rhodes foi uma executiva do alto escalão das principais agências de propaganda de Nova Iorque, ela lutava contra a depressão todos os dias para conseguir sair de casa e ir trabalhar. Hoje, é uma entusiasta da Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr), método que ela garante ter salvado sua vida. No depoimento abaixo ela conta como chegou ao limite em um tentativa de suicídio e hoje está com sua vida reconstruída e ajudando outros pacientes com depressão. Seu blog e experiência também viraram livro, o original pode ser conferido no link: http://3000pulseslater.com/en/left/home/
Uma mensagem pessoal de Martha Rhodes
Eu gostaria de compartilhar minha experiência com o tratamento de Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), do inglêsTranscranial Magnetic Stimulation (TMS).
A EMT teve um importante papel em salvar a minha vida e as vidas de mais de 12.000 pessoas que sofrem de depressão.
A minha história pode parecer inacreditável e assustadora, mas é verdadeira.
Mesmo me sentindo triste nos dias mais felizes da minha vida, eu tive sucesso na minha carreira profissional como executiva de alto escalão em uma das maiores agências de publicidade de Nova York - EUA. Sou bem casada há 37 anos, e tenho dois filhos incríveis. Essa é a boa notícia.
Aqui é a má notícia: Com o que parecia ser uma vida perfeita, ninguém poderia ter ficado mais surpreso do que eu por acabar no pronto-socorro de um hospital, por causa de uma overdose de remédios com álcool.
Em 1990, fui diagnosticada com depressão e tomei antidepressivos. Mas, depois de muitos anos de tratamento, eu não sabia que eles tinham parado de funcionar. Eu não conseguia entender por que eu queria morrer quando eu tinha tanta coisa boa acontecendo.
Depois da minha tentativa de suicídio, eu tentei uma variedade de medicações por vários meses e nada ajudou. Na verdade, eu me senti pior do que quando eu comecei o tratamento, tentando encontrar o caminho, ou uma combinação de comprimidos, que iria funcionar. Ou eles eram ineficazes ou os efeitos colaterais eram intoleráveis. Eu estava com medo, frustrada e sem esperança.
O meu lema até aquele momento tinha sido seguir em frente, esconder minha tristeza, e "apenas continuar!". Eu tinha uma poderosa "máscara" que eu usava. Minha carreira de sucesso foi uma prova disso. Infelizmente, minha máscara perdeu a força com a piora da depressão. Meu cérebro não conseguia produzir a química suficiente para manter a minha saúde mental.
Eu vivia em um mundo onde não havia como escapar da preocupação diária, da auto-mutilação e de uma tristeza persistente.
Eu vivia em um mundo onde eu ria quando, na verdade, eu queria me debruçar em lágrimas, fingindo ser feliz. Meu marido sabia da minha depressão e se sentia frustrado por não poder me ajudar.
Eu vivia em um mundo onde eu me sentia culpada por, simplesmente, não conseguir me sentir bem, porque minha cabeça não funcionava e eu sentia medo constante por ter perdido a vontade de viver.
Então, um milagre aconteceu. Através de uma revista, descobri a EMT. O anúncio dizia o seguinte: "tratamento da depressão sem medicamentos". Eu fiz uma consulta com um psiquiatra para me informar e ver se era indicado para o meu caso. O veredicto foi "sim".
Inicialmente eu estava com receio sobre esta nova técnica, mas depois de ver alguns resultados de pesquisas e também saber que a EMT é aprovada pelo FDA, eu fiquei confiante e segura. Isto me tranquilizou muito.
E fiquei surpresa ao descobrir o quão simples era o tratamento com EMT. Eu relaxei em uma poltrona confortável, podia ouvir música ou assistir TV. Uma bobina foi colocada no lado esquerdo da minha cabeça que produzia pulsos magnéticos por quatro segundos, com intervalo de 26 segundos e assim por diante durante trinta e sete minutos, em um total de 3000 pulsos por sessão.
Inicialmente o tratamento foi de cinco dias por semana, durante seis semanas. Agora vou uma vez por mês para tratamento de manutenção, sem quaisquer antidepressivos.
Mas a melhor parte sobre a EMT é: não tenho efeitos colaterais. Não tive dor de cabeça, dor de barriga, desorientação. Não há necessidade do uso de sedativos ou anestesia. Dirijo normalmente e vou para meus compromissos. Perco menos de 45 minutos com o tratamento. A manicure / pedicure leva o mesmo tempo, se não mais!
No começo, eu me questionava se a EMT iria mesmo funcionar. Perguntei a mim mesma: "Como será possível que um estímulo magnético parecido com um pica-pau batendo na minha cabeça possa levar toda essa tristeza e sofrimento embora?"
Tomar um comprimido todos os dias é algo tangível. Você vê, engole e sabe que ele está indo para a corrente sanguínea e fazendo seu efeito. A EMT é muito mais discreta, quase misteriosa. Pode ser invisível e não-invasiva, mas a ciência e a minha experiência pessoal provam que funciona!
Por volta da minha 20 ª sessão, eu acordei um dia de manhã sem aquele sofrimento "UGH!". Este sofrimento era mil vezes pior do que aquele sentimento de: "Eu não queria que fosse segunda-feira e não queria trabalhar! " Sensação essa que eu chamo de "náusea emocional". 
Vi uma luz no fim do túnel como se eu tivesse sido retirada de um buraco negro.
Comecei a cantar enquanto dirigia, me sentia mais otimista, voltei a ligar para os meus amigos, sair para jantar, e eu realmente voltei a sorrir. Minha energia aumentou, me sentia cheia de vida e incrivelmente bem.
Estou aliviada e agradecida por existir um tratamento eficaz, não-medicamentoso que é aplicado diretamente na minha cabeça e não afeta o resto do meu organismo. Eu não só voltei a viver, mas ganhei um recomeço. Sinto-me mais viva e alegre agora do que antes. E o mais importante, eu descobri que realmente vale a pena viver!

Friday, May 3, 2013

Ondas magnéticas contra a dependência



Ondas magnéticas contra a dependência
Dr. Moacyr Rosa, diretor do IPAN, é entrevistado pela revista Saúde É Vital sobre o uso da estimulação magnética para o tratamento da dependência química.

Ondas magnéticas contra a dependência. Terapia já consagrada no controle da depressão é testada contra o vício em cocaína pela primeira vez no Brasil. E os resultados são animadores. 

    O físico britânico Michael Faraday (1791-1867) foi um dos homens mais influentes da história da ciência. Seus trabalhos sobre eletromagnetismo se tornaram o ponto de partida de muitas das tecnologias que usamos hoje.  As telecomunicações, a distribuição de energia nas metrópoles, os meios de transporte e os motores elétricos se originaram com base nos estudos de Faraday, que desvendaram as interações entre as correntes elétricas e os campos magnéticos.

    Cerca de dois séculos depois desses avanços vitais para a sociedade contemporânea, os achados do cientista ainda reverberam pelo mundo acadêmico, especialmente na medicina. Uma de suas aplicações mais recentes é a estimulação magnética transcraniana, a EMT, terapia não invasiva que trata diversas doenças no cérebro. O método, desenvolvido em 1985 pelo médico inglês Anthony Baker, na universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, se vale da aplicação de ondas magnéticas em pontos específicos da massa cinzenta para conter males que vão de depressão a alucinações auditivas .

    Agora uma investigação  pioneira do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas de São Paulo foi além: testou a EMT em dependentes de cocaína. A pesquisa, finalista do prêmio SAÚDE 2012, teve resultados impressionantes. “Nós conseguimos diminuir a fissura pela droga e melhorar sintomas de depressão e ansiedade em 80% dos voluntários, enquanto 60% deles reduziram o consumo”, conta o psiquiatra Philip Leite Ribeiro, autor do trabalho e pesquisador do IPq.

    Para ter uma ideia da conquista, basta considerar que outras formas de tratamento desse vício são capazes de refrear o uso, no máximo, em 25% dos pacientes. “Até então, não existia remédio específico para a cocaína além das intervenções psicossociais, que também têm a sua eficácia”, frisa o psiquiatra Marco Antonio Marcolin, coordenador do serviço de Estimulação MagnéticaTranscraniana do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Para realizar o estudo, a equipe do Instituto de Psiquiatria recrutou 25 voluntários, que foram divididos em dois grupos. O Primeiro foi alvo da estimulação magnética transcraniana, enquanto a segunda turma passou por uma terapia placebo, ou seja, de mentira. Nem os pacientes, muito menos os médicos, sabiam quem efetivamente tinha feito o tratamento correto e quem estava selecionado para o teste falso. As sessões aconteciam diariamente e demoravam menos de 15 minutos. Os indivíduos receberam as ondas magnéticas na cabeça durante um mês e foram acompanhados por mais 60 dias. “Além da análise comportamental, todos os pacientes faziam exames de urina para controlar o uso da droga”, informa MarcolinEssasaveriguações tornaram a pesquisa ainda mais criteriosa. “Ninguém nunca fez isso em todo o mundo. É uma comprovação científica plena dos resultados”, reforça o psiquiatra.

    A pesquisa brasileira apontou uma queda do consumo da cocaína entre a terceira e a sexta semana depois do início das sessões. “Talvez essa seja uma janela de oportunidade para disponibilizar ao paciente um arsenal de recursos, como terapias psicossociais, cognitivas e comportamentais”, especula Leite Ribeiro. Os especialistas começam, neste momento, a planejar uma segunda investigação, com dependentes de crack – embora ainda estejam ás voltas com o problema de falta de verba para a internação dos voluntários.

Do Laboratório para a Clínica


    A EMT é praticamente indolor e não dá choques. A Máquina utilizada, conhecida como estimulador magnético, solta uns cliques quando emite as ondas para o cérebro. Pacientes que passaram pela terapia contam que o incômodo é mínimo, como se alguém tocasse rapidamente com o dedo uma região específica do crânio. “Algumas pessoas podem sentir uma leve dor de cabeça logo após a aplicação”, adverte o psiquiatra Rafael Boechat, professor da faculdade de medicina da Universidade de Brasília, no Distrito Federal. Para esses  casos de cefaleia, um analgésico simples resolve.

    No Brasil, por enquanto, o método está aprovado para uso clínico apenas no combate á depressão e ás alucinações auditivas típicas da esquizofrenia. Nos quadros depressivos, testes feitos ao redor do globo asseguram sua eficácia: em 40% dos casos, todos os sintomas desaparecem. “A EMT funciona por meio da variação de pulsos magnéticos, que podem ter o efeito de inibir ou estimular determinadas regiões do cérebro”, explica o psiquiatra Moacyr Alexandro Rosa, diretor do Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação, na capital paulista.


    Apesar do emprego restrito atual, diversos experimentos indicam que em breve o aparelho beneficiará quem sofre de problemas como enxaqueca, Parkinson, zumbido, sequelas de um acidente vascular cerebral e dores crônicas. Ele pode ser efetivo até mesmo contra distúrbios comuns na infância, como dislexia, autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

    Mas tome cuidado para não cair em armadilhas. Fora do ambiente de pesquisa, não é permitido lançar mão da EMT para essas doenças. E mais: o Conselho Federal de Medicina decretou no final do ano Passado que só médicos estão autorizados a aplicá-la. “Sempre quepossível, peça o registro do profissional e pesquise no site dos conselhos regionais para verificar se ele está apto a realizar o procedimento”, sugere a neurologista Adriana Bastos Conforto, professora do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina de São Paulo.

    Como você pode ver, a psiquiatria dispõe de técnicas cada vez mais avançadas para garantir uma massa cinzenta livre de  encrencas – encrencas essas capazes de determinar o raciocínio inclusive de cérebros geniais como o homem que descobriu o funcionamento das ondas magnéticas. Michael Faraday, quem diria, morreu em sua casa, vítima de colapsos mentais.

Confira a matéria completa na revista Saúde É Vital, edição de abril de 2013.

por André Biernath

http://saude.abril.com.br/edicoes/

Tuesday, March 26, 2013

Vício em chocolate existe e precisa ser tratado, afirmam profissionais



Cármen Guaresemin
Do UOL, em São Paulo
  • Thinkstock
    A pessoa viciada come uma caixa de chocolate em alguns minutos, ou seja, uma grande quantidade em um espaço curto de tempo; muitas escondem o doce para não ter de dividir
    A pessoa viciada come uma caixa de chocolate em alguns minutos, ou seja, uma grande quantidade em um espaço curto de tempo; muitas escondem o doce para não ter de dividir
Páscoa no Brasil sempre foi sinônimo de alto consumo de ovos de chocolate. Porém, há pessoas que não abrem mão dessa delícia o ano todo. Algumas se dizem apaixonadas e outras se assumem chocólatras, referindo-se a um verdadeiro vício pelo doce. Mas como diferenciá-las? Comer chocolate todos os dias seria o suficiente para ser considerado um viciado?

O psiquiatra Arthur Kaufman, docente Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), foi responsável por uma pesquisa com um grupo de voluntários com compulsão por chocolate. Ele explica a diferença: "Chocólatra é a pessoa com compulsão pelo doce, como há os compulsivos por drogas, jogos e internet".

Ele exemplifica: a pessoa come uma caixa de chocolate em alguns minutos, ou seja, uma grande quantidade em um espaço curto de tempo. Muitas vezes, sente arrependimento seguido de vômito. O viciado também pode ter outras atitudes, como comer escondido, por sentir-se constrangido ou para não ter que dividir, e até sair na chuva ou de madrugada para comprar a guloseima. Ou seja: o chocólatra não consegue viver sem chocolate. Existe até um termo em inglês para essa compulsão: craving, algo como "fissura".

Ser viciado por chocolate é diferente de gostar muito da guloseima, ou de exagerar no consumo na época da TPM (tensão pré-menstrual) . Ou, ainda, de consumir o chocolate de vez em quando como um substituto de carinho ou sexo.

Kaufman conta que as consequências do vício são mesmo sociais e não tanto de saúde. "Algumas podem se sentir culpadas quando se olham no espelho, porque podem ganhar peso. Porém, o prejuízo maior surge no convívio com outras pessoas, que fica comprometido".

Feliz Páscoa a todos amigos, clientes e colegas!!!

Friday, March 15, 2013

Estimulação magnética ajuda a tratar pacientes com depressão em SP


Estimulação magnética ajuda a tratar pacientes com depressão em SP

O equipamento cria um campo magnético que penetra no cérebro, sem corte, sem dor. No total, são 15 minutos de sessão.

Em São Paulo, uma nova técnica promete abreviar o tratamento da depressão. É a estimulação magnética transcraniana profunda, que está sendo testada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse tratamento não tem nada a ver com aquelas técnicas antigas, que usavam choque elétrico no paciente. Agora, os médicos usam ondas eletromagnéticas, para estimular determinadas partes do cérebro.
São dois segundos e meio de estímulo para pouco mais de 27 segundos de intervalo. No total, são 15 minutos de sessão. Com o tratamento, a nutricionista diminuiu de nove para dois a dose diária de remédios e já viu desaparecer alguns sintomas. E o tratamento dela está só no início.
“Achei que melhorou a ansiedade, a insônia. Com as medicações eu tinha muita sudorese, tremor, taquicardia, isso passou”, conta uma paciente.
O equipamento cria um campo magnético que penetra no cérebro, sem corte, sem dor. A estimulação eletromagnética transcraniana já é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e alguns planos de saúde cobrem esse procedimento.
No HC, nove mil pacientes já foram tratados ao longo de 14 anos. “Essa região do cérebro no deprimido estava funcionando menos, ou seja, estava hipoativa. A tendência é de regular essas regiões com tratamento, e depois isso vai ter uma sequencia de efeitos dentro do cérebro”, afirma Marco Marcolin, coordenador do serviço.
Agora o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo começou um estudo inédito no Brasil para o tratamento da depressão bipolar. A máquina tem o mesmo princípio da outra, a diferença é que ela consegue atingir regiões mais profundas do cérebro.
A mesma pesquisa está sendo realizada em outros quatro centros no mundo. O aparelho produz estímulos a oito centímetros de profundidade e não a três, como na técnica tradicional.
A expectativa é que o equipamento reduza o tempo de tratamento e o uso de medicamentos, com seus respectivos efeitos colaterais. “Poucos anos atrás, era necessário uma neurocirurgia, fazer um furo, colocar um eletrodo dentro da cabeça da pessoa para fazer esse tipo de coisa. Hoje você consegue, de forma indolor, sem anestesia, sem coisa nenhuma, regular esses circuitos ou estudar esses circuitos”, afirma Marcolin.
É a esperança da paciente que acabou de passar pela terceira sessão. “Tinha muito tempo que não tinha vontade de passar batom, de maquiar, de sair de casa. Hoje já tenho uma esperança. Ter um pouco mais de bom humor, coisa que eu não tinha antes”, comemora uma paciente.
Essa pesquisa ainda aceita pacientes dispostos a participar. Eles precisam ter de 18 a 65 anos. Para se inscrever, é só mandar um email para pesquisadepressaobipolar@gmail.com

Ondas magnéticas combatem depressão e tabagismo



Estudo israelita obtém resultados positivos utilizando
capacete estimulante do sistema nervoso

2013-02-26
A estimulação do sistema nervoso com ondas magnéticas reduz a vontade de fumar.
A estimulação do sistema nervoso com ondas magnéticas reduz a vontade de fumar.
Um capacete que emite ondas magnéticas para o cérebro pode ajudar no combate a doenças como a depressão, dependência do tabaco, Parkinson e autismo. O capacete foi desenvolvido por dois cientistas israelitas, o neurocientista Abraham Zangen e pelo físico Yiftach Roth.
O capacete emite ondas magnéticas para o cérebro, estimulando o sistema nervoso enquanto os pacientes estão conscientes. O presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, Nuno Sousa, explicou ao Ciência Hoje que “a estimulação magnética transcraniana usa campos magnéticos rapidamente alternantes para induzir uma corrente eléctrica do tecido neuronal subjacente, tipicamente córtex, que despolariza esses neurónios”.

O neurocientista português adiantou ainda que “a estimulação cerebral profunda, nomeadamente através de ondas magnéticas, é uma técnica que tem vindo a ser desenvolvida há vários anos e com resultados relevantes, nomeadamente em situações clínicas complexas como quadros depressivos resistentes”.

A neuromodulação em circuitos neuronais específicos, conseguida por exemplo com as ondas magnéticas, “pode promover alterações no funcionamento de quadros depressivos resistentes”, adianta Nuno Sousa.

Segundo, o mesmo responsável é ainda necessário apurar detalhadamente um uso “preciso e controlado no espaço e no tempo” destes processos.

A investigação israelita procedeu a um estudo no qual envolveu mais de três mil pessoas de todo o mundo. Para cada problema, foi criado um capacete diferente, “adaptado para transmitir as ondas magnéticas às áreas relevantes do cérebro", explica o cientista Abraham Zanger, chefe do laboratório de Neurociência da Universidade Ben Gurion.
Nuno Sousa, neurocientista e professor na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
Nuno Sousa, neurocientista e professor na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
Na área psiquiátrica verificou-se que os pacientes reagiram positivamente quando submetidos a este sistema. A investigação concluiu que 32,6% dos pacientes tratados com as ondas magnéticas apresentaram uma remissão completa da depressão e 38,4% demonstraram uma melhoria substancial.

Os capacetes foram também testados em 115 fumadores, que fumavam pelo menos 20 cigarros por dia, e que já tinham tentado deixar o tabaco com outros métodos. Fizeram sessões de 15 minutos por um período de três semanas.

Os resultados obtidos parecem promissores. Segundo Limor Dinur Klein, da Universidade de Telavive, Israel, “44% das pessoas pararam de fumar após o tratamento”. Inicialmente os pacientes tiveram algumas dores de cabeça, mas foram passageiras, “não sendo registado qualquer dano na capacidade cognitiva dos participantes”.

Do número de participantes que não deixou de fumar (80%), metade diminuiu o número de cigarros que fumava por dia.

A autoridade americana reguladora do medicamento e alimentação, Food and Drug Administration (FDA), já emitiu um certificado para utilização deste sistema de ondas magnéticas no tratamento da depressão.

Estimulação magnética reduz consumo de cocaína em 60%, mostra estudo da USP


Estimulação magnética reduz consumo de cocaína em 60%, mostra estudo da USP

Do UOL
Em São Paulo
  • Julia Moraes/Folha Imagem - 09.01.2007
    Não invasiva e indolor, a técnica já é utilizada para o tratamento de alguns transtornos psiquiátricos
    Não invasiva e indolor, a técnica já é utilizada para o tratamento de alguns transtornos psiquiátUma técnica não invasiva, que utiliza estímulos magnéticos no crânio, é capaz de reduzir a fissura por cocaína. Ao agir sobre regiões do cérebro responsáveis pelo desejo intenso, o método conseguiu diminuir o consumo da droga em até 60%. Os resultados são de uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).
A técnica de estimulação magnética transcraniana (EMT) já é usada em casos de depressão e outros transtornos psiquiátricos que não respondem a medicamentos, e também no tratamento da dor. Com uma bobina encostada na cabeça do paciente, o aparelho de EMT produz um potente campo magnético e, oscilando, gera uma corrente elétrica.
"A corrente atravessa o crânio e age no sistema nervoso central, realizando a modulação do cérebro de forma não invasiva", explica o psiquiatra Philip Leite Ribeiro, autor da pesquisa. O trabalho foi orientado pelo professor Marco Antonio Marcolin, da FMUSP.
O médico relata que os estímulos elétricos gerados despolarizam os neurônios (células do sistema nervoso). Eles atingem regiões que estão diretamente ligadas à modulação da fissura.
O tratamento conseguiu uma redução de 80% da fissura e de 60% do consumo de cocaína, comprovada pelas análises de urina. "É uma redução mais efetiva do que a conseguida atualmente por meio de medicamentos", destaca Ribeiro. "A terapia com fármacos consegue uma diminuição da fissura entre 20% e 30%".
Os pacientes foram submetidos a 20 sessões de estimulação magnética, cinco vezes por semana, no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. Após esse período, participavam de um grupo de prevenção de recaídas por dois meses, coordenado por uma psicóloga, e recebiam alta ao final de três meses.
Antes, durante e depois do tratamento, os pacientes foram submetidos a uma avaliação neuropsicológica detalhada. Também foram realizados exames de urina periódicos para avaliar a presença de benzoilecgonina, a principal subtância produzida pelo organismo a partir da cocaina (metabólito).
O método já é aprovado para uso em outros transtornos psiquiátricos, mas, no caso da dependência, ainda é preciso aprovação do Conselho Federal de Medicina (CFM). "Também serão necessárias outras pesquisas que repliquem os resultados obtidos neste estudo", diz Ribeiro.

Friday, February 8, 2013

USP testa estimulação com corrente elétrica para depressão

07/02/2013-04h07

USP testa estimulação com corrente elétrica para depressão

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Pesquisadores da USP testam uma alternativa indolor, de baixo custo e com poucos efeitos colaterais para o tratamento da depressão.
 
Trata-se da estimulação com corrente elétrica contínua. E, ao que indica um estudo publicado pelo grupo no "Jama Psychiatry", revista da Associação Médica Americana, a técnica é eficaz.
Na pesquisa, 120 pessoas com depressão foram divididas em grupos para avaliar a eficácia da técnica, do antidepressivo sertralina (um inibidor da recaptação da serotonina) e da combinação dos dois tratamentos.

Drogas e estimulação tiveram resultados similares e, juntas, um resultado ainda melhor. Entre os que usaram as terapias combinadas, 63% tiveram alguma melhora.
Desses, 46% tiveram remissão, ou seja, a ausência completa de sintomas.
combinação
Segundo André Brunoni, psiquiatra do Hospital Universitário da USP e principal autor da pesquisa, esse é o primeiro estudo a comparar o tratamento com antidepressivos e a combiná-los.
A explicação para o sucesso dessa soma ainda precisa ser confirmada por exames de imagem, mas os pesquisadores imaginam que a estimulação e o remédio atuem em diferentes regiões do cérebro ligadas à depressão.
A técnica, ainda experimental, tem poucos efeitos colaterais (no estudo, foram observados vermelhidão na área da cabeça onde os eletrodos foram posicionados e sete episódios de mania) e custo relativamente baixo.
O aparelho é simples de ser fabricado, pode ser portátil e custa de R$ 500 a R$ 1.000, segundo Brunoni.
Um aparelho de estimulação magnética transcraniana (técnica de neuromodulação não invasiva mais estudada e que recebeu o aval para depressão no Brasil em 2012) chega a custar de US$ 30 mil a US$ 50 mil (R$ 59 mil a R$ 119 mil).

Editoria de arte/Folhapress

CONVINCENTE

A estimulação por corrente contínua não é novidade --pesquisas em humanos para depressão e esquizofrenia são feitas desde a década de 1960. Os estudos foram retomados a partir de 1990, mas a quantidade é pequena.
"Até esse estudo da USP, os resultados desse tipo de estimulação não eram muito convincentes. Talvez isso se modifique agora", afirma Marcelo Berlim, professor assistente do departamento de psiquiatria da Universidade McGill, em Montréal, Canadá, e diretor da clínica de neuromodulação da instituição.
"É um avanço importante, mas não significa que vamos usar amanhã na prática clínica. Precisamos de mais estudos", diz Brunoni.
Berlim afirma que um dos entraves para que sejam feitas pesquisas maiores para a aprovação da técnica é a falta de investimento de grandes fabricantes do aparelho.
"Como ele é simples e barato, não há interesse por parte da indústria em desenvolver pesquisas de milhões de dólares", afirma o psiquiatra.

ELETROCHOQUE
Bobinas e eletrodos na cabeça não são exclusividade da estimulação elétrica por corrente contínua. Duas técnicas similares, que têm em comum a ausência de medicação, são usadas e aprovadas para depressão no país.
A eletroconvulsoterapia, conhecida como eletrochoque, é a mais invasiva. O paciente recebe anestesia geral, e os eletrodos induzem uma corrente elétrica no cérebro que provoca a convulsão, alterando os níveis de neurotransmissores e neuromoduladores, como a serotonina.
Ela é indicada para depressão profunda e em situações em que o paciente não responde aos medicamentos.
Seus efeitos cognitivos, porém, são indesejáveis e incluem perda de memória. Os defensores da técnica dizem que o problema é temporário.
Já a estimulação magnética é indolor e não requer anestesia, assim como a que usa corrente contínua.
Uma bobina, que é apoiada na cabeça do paciente, gera um campo magnético que afeta os neurônios, ativando-os ou inibindo-os. As ondas penetram cerca de 2 cm.
Em maio de 2012, o CFM (Conselho Federal de Medicina) aprovou a técnica para tratamento de depressões uni e bipolar (que pode causar oscilações de humor) e de alucinações auditivas em esquizofrenia e para planejamento de neurocirurgia.
O IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP), centro pioneiro em pesquisas com estimulação magnética no país, estuda a aplicação para depressão desde 1999.
"A estimulação por corrente contínua está hoje onde a estimulação magnética estava há 15 anos", afirma o psiquiatra André Brunoni.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1227227-usp-testa-estimulacao-com-corrente-eletrica-para-depressao.shtml

Estímulo magnético no cérebro pode neutralizar desejo de fumar, diz estudo

31/01/2013 08h29- Atualizado em 31/01/2013 08h29

Estímulo magnético no cérebro pode neutralizar desejo de fumar, diz estudo

Cientistas determinaram região cerebral onde a dependência se forma.
Circuito neural influência na tomada de decisão sobre fumar ou não.

Do G1, com agências internacionais*
O desejo de fumar pode ser neutralizado através da aplicação de estímulos magnéticos em determinadas zonas do cérebro, segundo os resultados de um estudo de cientistas japoneses e canadenses publicado nesta semana pela revista da Academia Americana de Ciências, a "PNAS".
Os cientistas conseguiram, através das tecnologias de imagem de ressonância magnética funcional (IRMf) e estímulo magnético transcraniano (SMT), determinar as regiões do córtex frontal onde a dependência se forma. Também determinaram que o desejo de fumar se formaria a partir de uma comunicação anormal de zonas de lóbulos frontais envolvidas nos processos de decisão.
"Nosso estudo demonstra que a necessidade de fumar não depende apenas do fato de os fumantes estarem ficando sem nicotina", disse Takuya Hayashi, do Centro RIKEN do Japão para a Ciência de Imagem Molecular. Um "circuito neural que participa na tomada de decisões e no autocontrole" também influencia, acrescentou Hayashi.
O estudo IRMF e SMT de dez fumantes demonstrou que quando eles eram submetidos a imagens de pessoas fumando surgia um estado de dependência. "Isto concorda com a opinião de que a toxicomania seja uma patologia da tomada de decisões", disse, por sua vez, o médico canadense Alain Dagher, de Montreal.
Estas pesquisas "podem conduzir ao desenvolvimento de tratamentos para o tabagismo e outros vícios" que levem em conta as redes de neurônios, disse Hayashi.
#cigarro (Foto: Srdjan Zivulovic/Reuters)Desejo de fumar pode ser neutralizado com estímulos magnéticos no cérebro, diz estudo (Foto: Srdjan Zivulovic/Reuters)
Fumo "apodrece" o cérebro
Recentemente, uma pesquisa britânica feita com quase 9 mil pessoas com mais de 50 anos mostrou que o cigarro "apodrece" o cérebro ao danificar a memória, o aprendizado e o raciocínio lógico.
O estudo foi realizado pela universidade King's College London, na Inglaterra. Cientistas envolvidos na pesquisa afirmam que as pessoas precisam perceber que o seu estilo de vida afeta tanto a mente quanto o corpo.
Os voluntários da pesquisa -- todos com mais de 50 anos -- participaram de testes de memorização de novas palavras. Eles também eram instigados a dizer o maior número de nomes de animais em um minuto.
Os resultados mostraram que o risco de ataque cardíaco e derrame "estão associados de forma significativa com o declínio cognitivo". As pessoas com maior risco foram as que mostraram maior declínio. Também foi identificada uma "associação consistente" entre fumo e baixos resultados no teste.

*Com informações da France Presse e da BBC
 
Portal G1:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/01/estimulo-magnetico-no-cerebro-pode-neutralizar-desejo-de-fumar-diz-estudo.html