Monday, May 13, 2019

Sintomas de depressão: por que a versão atípica da doença é tão perigosa


Chamada clinicamente de depressão atípica, ela é difícil de identificar exatamente porque os sintomas estão frequentemente mascarados por falsas demonstrações de felicidade.


BBC NEWS BRASIL
Chamada clinicamente de depressão atípica, ela é difícil de identificar exatamente porque os sintomas estão frequentemente mascarados por falsas demonstrações de felicidade

Chamada clinicamente de depressão atípica, ela é difícil de identificar exatamente porque os sintomas estão frequentemente mascarados por falsas demonstrações de felicidade

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Costumamos pensar que um sorriso é indicativo de felicidade, certo?
Há pessoas, entretanto, que são capazes de sorrir, viver momentos alegres e, ainda assim, nutrir sentimentos suicidas.
São aquelas afetadas pelo que se conhece popularmente como “depressão sorridente” – o termo clínico, na verdade, é depressão atípica, como explica Olivia Remes, especialista em ansiedade e depressão da Universidade de Cambridge em um artigo no portal The Conversation.
Remes explica que é difícil identificar aqueles que sofrem da doença exatamente porque os sintomas são frequentemente mascarados por falsas demonstrações de felicidade e porque, muitas vezes, são pessoas sem motivo aparente para estarem deprimidas: têm um trabalho, uma casa, amigos e até cônjuge e filhos.
Ao contrário de outros tipos de depressão, a atípica gera maior necessidade de dormir

Ao contrário de outros tipos de depressão, a atípica gera maior necessidade de dormir

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Alguns dos sintomas, contudo, podem nos ajudar a detectar quando alguém – ou nós mesmos – está deprimido, ainda que dê mostras pontuais de felicidade.
Sintomas
Eles variam de uma pessoa para outra, mas alguns são chave:
– Uma melhora temporária do estado de ânimo – provocada, por exemplo, pela chegada de boas notícias, da mensagem de um amigo ou elogio do chefe – seguida de uma recaída;
– Aumento do apetite e ganho de peso;
– Dormir por longas horas e, ainda assim, sentir sono durante o dia (enquanto outros tipos de depressão fazem as pessoas dormirem menos);
– Sensação de torpor e peso nos braços e nas pernas em vários momentos durante o dia;
– Maior sensibilidade a críticas e rejeição, que pode afetar as relações pessoas e de trabalho.
Mais perigosa
A dificuldade de se perceber que uma pessoa que aparentemente se encontra bem está com depressão faz desta modalidade da doença mais perigosa que as outras, ressalta Remes em seu artigo.
Mas há outros fatores que agravam esses casos, ela acrescenta.
Pessoas com 'depressão sorridente' geralmente conseguem manter as atividades diárias - mas essa mesma energia pode ser combustível para que levem a cabo pensamentos suicidas

Pessoas com ‘depressão sorridente’ geralmente conseguem manter as atividades diárias – mas essa mesma energia pode ser combustível para que levem a cabo pensamentos suicidas

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De um lado, aquele que sofre da doença atípica demora mais a procurar tratamento por não conseguir identificá-la.
De outro, essas mesmas pessoas costumam ter dificuldade para reconhecer emoções. Assim, trabalhar a partir de um ponto de vista psicológico com elas é mais difícil.
Além disso, a capacidade daqueles que sofrem deste tipo de depressão de continuar realizando suas atividades pode ser contraproducente. Remes é clara nesse sentido em seu artigo.
“A força que elas têm para seguir com a vida diária pode deixá-las especialmente vulneráveis a levar a cabo pensamentos suicidas. Isso contrasta com outras formas de depressão, nas quais as pessoas podem ter pensamentos suicidas, mas não energia suficiente para levá-los adiante.”
Se você tem algum dos sintomas, procure um médico ou a ajuda de familiares e amigos

Se você tem algum dos sintomas, procure um médico ou a ajuda de familiares e amigos

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O tratamento geralmente envolve a prescrição de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.
Remes acrescenta, ainda, a realização regular de exercícios físicos e a prática da meditação, que, segundo ela, têm trazido bons resultados na prática clínica.

Wednesday, May 8, 2019

Vício em Jogos

Vicio em Jogos - IPAN

Vício em jogos: a diversão que pode se transformar em compulsão e transtorno mental

É comum ao andar pelas ruas, e mesmo ao circular por transportes ou locais públicos, nos depararmos com pessoas completamente absortas em seus smartphones, com fones de ouvido, jogando! A prática pode ser um excelente passatempo, no entanto, se o ato se tornar compulsivo, pode indicar a presença de um transtorno mental.
É o que afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS), através da última revisão do manual de classificação de doenças, que qualifica a compulsão por jogos virtuais como uma condição de saúde mental, atestando que cerca de 3% dos jogadores já podem ser considerados viciados. Uma classificação que pode ajudar governos, familiares e profissionais de saúde a se manterem vigilantes e mais preparados para identificar os sinais do problema.
Segundo a OMS, a proposta de classificar o vício em jogo como um transtorno de saúde mental foi aceita com base em evidências científicas, assim como na crescente necessidade e demanda por tratamentos em muitos países. Na Inglaterra, por exemplo, já existe uma clínica de reabilitação para tratar crianças e jovens com vício em internet e videogames, mas ainda é uma das primeiras do gênero no mundo.
Outras entidades como a Associação Americana de Psiquiatria, nos Estados Unidos, ainda não consideraram o distúrbio do jogo como um novo problema de saúde mental. Entre os motivos para a não classificação, está a necessidade de mais pesquisas e testes clínicos que a justifiquem. Ainda assim, a associação não contradiz os resultados das pesquisas publicadas até agora. Para Mark Griffiths, pesquisador do conceito de transtorno de jogo há 30 anos, a nova classificação pode ajudar a legitimar o problema e fortalecer as estratégias de tratamento. Ele afirma que o número de jogadores viciados é menor que 1% e que a maioria provavelmente apresenta problemas subjacentes, como depressão, transtorno bipolar ou autismo.

Preocupação familiar

Diante desse quadro, torna-se imprescindível observar o comportamento de crianças, adolescentes e jovens, mas vale salientar que, mesmo passando muitas horas na internet ou jogando com frequência, esses indivíduos não necessariamente são portadores de algum transtorno ou clinicamente viciados. Para a maioria, os jogos estão relacionados a entretenimento e novidade, como no caso do ‘Pokemon Go’, que foi uma febre entre a população mundial durante o seu lançamento, mas que hoje já não é tão jogado.
Essa classificação da OMS, embora extremamente relevante, não pode inquietar pais e responsáveis desnecessariamente ou estigmatizar os jogadores, mas deve soar como um alerta, já que crianças, adolescentes e jovens não costumam buscar ajuda por conta própria. Um dos principais sinais de existência do vício é perceber se os videogames interferem nas funções diárias da pessoa, como nos estudos, na socialização ou mesmo no trabalho. Se isso estiver acontecendo, talvez seja hora de buscar ajuda.

Tratamentos indicados

Aqui no IPAN os vícios em jogos costumam ser tratados com psicoterapia. O desenvolvimento de uma relação terapêutica, que envolve a comunicação e a criação de um diálogo entre paciente e psicanalista por meio de técnicas cognitivas e comportamentais, trabalha a superação de pensamentos negativos ou de comportamentos desajustados, auxiliando o paciente a se libertar do vício em jogos.
Em alguns casos, pode também ser necessário o uso de medicamentos para um tratamento mais eficiente conforme a indicação, resposta e evolução do paciente.
Esteja sempre atento e sensível aos comportamentos de seus filhos, afilhados e entes queridos. A tecnologia faz parte do nosso tempo, e é até considerada uma forma de inserção social. O problema é quando ocorre justamente o contrário, ou seja, quando, por conta da tecnologia, o indivíduo apresenta sinais de reclusão, agressividade e falta de interesse pela própria vida. Daí sim, é hora de buscar ajuda profissional.

Tipos de Psicoterapia

tipos de psicoterapia

E agora, qual tipo de psicoterapia escolher?

A psicoterapia é um tratamento que se baseia na comunicação entre o psicoterapeuta e o paciente, com o propósito de induzir um melhor conhecimento sobre as atitudes, comportamentos e sentimentos do paciente, visando corrigi-los no caso de se mostrarem disfuncionais ou prejudiciais à sua vida. Nessa troca, é muito importante que haja empatia de ambas as partes, assim como é fundamental que o paciente se identifique com o método utilizado, pois será estabelecido um contrato, mesmo que informal, que se baseia em um relacionamento de atuação conjunta entre ambos.
E para ajudar você a conhecer melhor as nuances da psicoterapia, abaixo você encontra formas de classificação, divididas entre individual e em grupo, e, também, alguns dos tipos de psicoterapia existentes.

Psicoterapia individual

Na psicoterapia individual, terapeuta e paciente se encontram com uma periodicidade de acordo com o estabelecido e com o tipo de linha, e iniciam um relacionamento de atuação conjunta. E, nesse contexto, existem dois caminhos possíveis: a psicanálise e/ou a psicoterapia comportamental.

Psicanálise

A psicanálise foi a primeira forma de psicoterapia formal que se tem conhecimento. Na realidade, ela não é somente uma forma de psicoterapia, mas um modo de entendimento da estrutura e da dinâmica psíquicas em sua manifestação normal e, também, na manifestação patológica.
Criada e desenvolvida por Sigmund Freud, acabou ganhando subdivisões ao longo da história. Na atualidade, costuma-se juntar em um único grupo a psicanálise e as terapias de orientação analítica, que incluem a terapia expressiva e a de apoio, bem como a terapia dinâmica breve.
A psicanálise clássica se baseia em conceitos como repressão de desejos e inconsciente dinâmico, e tem por finalidade principal trazer para o nível consciente os conflitos inconscientes. Nas sessões, são utilizadas técnicas de fala livre, de interpretação de sonhos e de transferência, que consistem em passar para o terapeuta sentimentos bons ou ruins originariamente dirigidos a outra pessoa.
Na técnica Clássica, o paciente fica de costas para o terapeuta e as sessões podem chegar a ser diárias, por um período de tempo indeterminado. É uma abordagem que exige uma estrutura de ego forte para lidar com as tensões e emoções que surgem.
Outras linhas, também de orientação psicanalítica, têm o mesmo fundamento nos conflitos inconscientes, mas são menos radicais e internas, como a psicoterapia psicodinâmica breve, por exemplo, que tem uma duração mais curta (tipicamente alguns meses), e é realizada de forma semanal e voltada para pontos mais específicos do comportamento ou do relacionamento.

Psicoterapia Comportamental

Abordagem psicoterapêutica de grande influência, a comportamental é baseada principalmente em conceitos de aprendizagem e condicionamento, e se utiliza desses conceitos para modificar comportamentos disfuncionais.
No condicionamento clássico, a repetida associação de um estímulo originariamente sem relação com o comportamento, acaba por elucidá-lo. O exemplo mais clássico é a associação do som de uma campainha com a salivação, condicionando cães a associarem som e comida.
No condicionamento operante, o comportamento é reforçado ou inibido de acordo com as consequências do mesmo. Punições e prêmios utilizados para o ensino se baseiam neste conceito, mas ele é claramente mais amplo.
Aplicações práticas de técnicas comportamentais incluem prêmios para bom comportamento (tomar medicação, por exemplo), dessensibilização (exposição progressiva, mental ou real, em pacientes fóbicos), entre outras.
Uma técnica psicoterápica mais recente é a chamada cognitiva ou cognitiva-comportamental. Ela tem por fundamento a ideia de que o pensamento vai determinar o comportamento. Criada e aplicada para transtornos depressivos, ela usa técnicas para mudar o pensamento disfuncional, como a tríade de pensamento “não valho nada”, ”o passado e o presente são ruins” e o “futuro será desastroso”.
Existem ainda outras abordagens de psicoterapia individual, como a interpessoal, que tem por finalidade ajudar a entender os comportamentos nas relações com outras pessoas, desde familiares até amigos e estranhos, a fim de melhorar estas relações.

Psicoterapia de Grupo

Antes de falar da psicoterapia em grupo, é bom esclarecer que algumas formas de psicoterapias não podem ser classificadas como individuais e nem como de grupo. É o caso, por exemplo, da terapia de casal e/ou a familiar. Em ambas o casal ou a família são o paciente, e não os indivíduos que compõem estas estruturas. Elas se baseiam na ideia de que o casal ou a família funcionam e que cada membro tem o seu papel. E, caso haja mal funcionamento, a caracterização do papel de cada parte é fundamental para uma mudança benéfica.
Voltando a falar de psicoterapia em grupo, existem inúmeras linhas, abordagens e finalidades. Existem grupos que podem ter a participação de um ou mais terapeutas, assim como pode haver um grupo de pares formado por pacientes de um terapeuta. Há também os grupos de familiares de pacientes com um problema.
O grupo de pares mais famoso e difundido no mundo é conhecido como AA – Alcóolicos Anônimos, e se baseia no depoimento de pares com a finalidade de induzir o reconhecimento do transtorno e da necessidade de ajuda.
E existem outros semelhantes, como o Narcóticos Anônimos e o Psicóticos Anônimos. A abordagem em grupo tem a vantagem de ser possível observar o comportamento e a capacidade do indivíduo de se relacionar com o grupo.

Qual tratamento escolher?

A psicoterapia se vale de métodos que nos permitem um melhor entendimento do funcionamento do psiquismo, tanto em seu estado normal como no patológico. Cada método tem uma indicação específica, a fim de que as sessões sejam direcionadas para o melhor entendimento dos problemas/transtornos.

Depressão: Quem devo procurar?


qualprofissional

Depressão
Quem devo procurar: um psiquiatra, um psicólogo ou outro profissional?

Embora pareça simples detectar a Depressão, já que alguns sintomas são muito característicos do transtorno, é muito importante que o diagnóstico seja realizado por um profissional qualificado. E o ideal é procurar um psiquiatra – médico com foco em transtornos mentais. Na consulta, o paciente terá a oportunidade de relatar seus sentimentos, pensamentos e sofrimentos emocionais, assim como dizer quando começou a se sentir assim, se já sofreu esses episódios em outras épocas, e etc. De posse dessas informações, que também podem ser coletadas via testes e/ou questionários, o psiquiatra terá subsídios para diagnosticar se, de fato, aquela pessoa está sofrendo de Depressão, qual a gravidade do transtorno e, assim, recomendar o tratamento adequado para o caso.

E como ter certeza se meus sintomas são de depressão e que devo mesmo procurar um psiquiatra?

A mais nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM- 5), o principal guia para profissionais da área da saúde mental, possui critérios utilizados para o diagnóstico e classificação dos estados depressivos.
Para o reconhecimento da depressão, o paciente precisa ter experimentado cinco ou mais dos seguintes sintomas por, pelo menos, duas semanas. Além disso, necessariamente, deverá apresentar ao menos uma das duas primeiras manifestações abaixo. São elas:
Humor deprimido e desesperança na maioria dos dias;
Perda de interesse ou prazer em atividades, na maior parte dos dias, que antes eram prazerosas;
Acentuada perda ou ganho de peso ou de apetite;
Insônia e sonolência excessiva;
Agitação ou retardo psicomotor observáveis por outros;
Cansaço e falta de energia para realizar as tarefas mais básicas;
Excessivo sentimento de culpa e inutilidade;
Dificuldade de concentração, de pensar e de tomar decisões;
Recorrentes pensamentos suicidas e de morte.
Em geral, quando se trata de depressão, estes sintomas estão presentes na maior parte do dia, prejudicando, e muito, a qualidade de vida do paciente.

O tratamento deve ser feito somente com o psiquiatra?

Não, muitos especialistas podem estar envolvidos no tratamento da Depressão. Por exemplo: enquanto o psiquiatra, entre outras coisas, administra antidepressivos e outros tratamentos, o psicólogo pode se dedicar a descobrir, nas sessões de psicoterapia, as causas psíquicas por trás da doença para auxiliar o paciente a desmontá-las.
Além destes, outros profissionais podem estar envolvidos, como um nutricionista para contra-atacar eventuais compulsões alimentares ou, até mesmo, a falta de vontade de comer; um profissional de educação física, que auxiliaria no ajuste do ritmo e da frequência dos exercícios, proporcionando mais ânimo e bem-estar ao dia a dia do paciente, entre outros.

E que tal começar agora a espantar a Depressão?
O IPAN é especializado em tratamentos para depressão e, para o reconhecimento do transtorno, entende que o primeiro passo é o paciente se livrar de preconceitos e buscar ajuda médica. Hoje, o tratamento mais utilizado é o medicamentoso, via administração de antidepressivos, que pode se dar de forma isolada ou combinada, preferencialmente, com sessões de psicoterapia. Isso porque as medicações equilibram as alterações fisiológicas, enquanto a psicoterapia aborda questões psicológicas. Além disso, em alguns casos, a eficácia dos antidepressivos pode ser limitada, devendo incluir estratégias de potencialização e combinações.

Quando as medicações não surtem efeito, por excesso de efeitos colaterais, por exemplo, ou quando não são recomendadas, como na gestação, pois podem afetar o embrião/feto, outros tratamentos podem ser indicados, como:
Estimulação Magnética Transcraniana (EMT): por meio de ondas magnéticas, modula os neurotransmissores e restabelece o funcionamento cerebral. Indicada em casos leves e moderados.

Eletroconvulsoterapia (ECT): por meio de disparos cerebrais autolimitados, equilibra os neurotransmissores e restabelece o funcionamento cerebral. Realizada em ambiente Hospitalar, é mais indicada em casos graves, refratários e com risco de suicídio.

O mais importante é buscar uma avaliação cuidadosa para decidir qual o tratamento mais indicado para o seu caso.

Esquizofrenia: tratamento de ação prolongada é aprovado pela Anvisa

A nova versão do palmitato de paliperidona tem posologia trimestral, ou seja, o paciente só vai precisar aplicar a injeção a cada três meses 



Um medicamento de ação prolongada contra a esquizofrenia acaba de ser aprovado pela Anvisa. O palmitato de paliperidona trimestral é a primeira injeção que requer apenas quatro doses ao ano para o tratamento da doença. A ação prolongada é importante, já que pesquisas apontam que uma das principais causas de recaída entre 80% dos pacientes durante os cinco primeiros anos é a baixa adesão ao tratamento. Espera-se que o palmitato de paliperidona aumente a adesão ao tratamento, previna recaídas e melhore a qualidade de vida do paciente.

O palmitato de paliperidona já estava disponível em forma de injeção mensal. A nova medicação é indicada para pacientes adultos que já tenham sido tratados com a injeção mensal por, no mínimo, quatro meses. A aplicação do medicamento deve ser feita por profissionais de saúde em hospitais, clínicas e hospital dia.

Estudos clínicos mostram que o Invega Trinza (nome comercial do palmitato de paliperidona trimestral) é seguro – assim como a versão oral e a injeção mensal. Os efeitos colaterais mais comuns são reação no local da injeção, aumento de peso e dor de cabeça. Estudo publicado este ano ainda apontou que mais de 90% dos pacientes que utilizaram o novo medicamento não tiveram recaída ao longo de um ano e meio.

Embora tenha sido aprovado pela Anvisa, o medicamento só estará disponível para compra depois de receber aprovação de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o que deve acontecer dentro dos próximos três meses, de acordo com a Janssen.

(Thinkstock/VEJA)
Confira a reportagem no portal da VEJA!
 

 

Monday, March 11, 2019

IPAN no M de Mulher – Eletrochoques: eles voltaram, mas não como antigamente.



Ipan no M de Mulher – Eletrochoques: eles voltaram, mas não como antigamente.
(GettyImages/Marina_ua/Reprodução)
A técnica é a chamada eletroconvulsoterapia, praticada em ambiente hospitalar e com anestesia. Conheça antes de julgar.
Não tem jeito, é só falar em eletrochoque pra gente se assustar, lembrar de tortura e negar veementemente a prática. Mas é preciso refletir sobre isso! “A palavra eletrochoque é carregada de preconceito e estigma, mas a técnica se aperfeiçoou e salva vidas”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL), diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
A prática mudou muito, assim como a denominação, que usaremos nesta matéria: eletroconvulsoterapia (ECT).
Para começar, vale dizer que tudo é muito bem estudado e regulamentado. A ECT tem resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que determina em quais casos pode ser aplicada, a forma e o local.
“O procedimento é feito em sala cirúrgica, com anestesia e medicação específica que não permite memórias do momento da aplicação”, garante Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e membro do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
E vale deixar claro que a ECT dificilmente será a primeira opção terapêutica, a não ser que haja um histórico de tentativa de suicídio. “Isso porque os antidepressivos levam de duas a quatro semanas, até oito, para fazer efeito, enquanto a ECT tem efeito muito rápido. Assim, se assegura a vida do paciente”, esclarece o diretor da ABP.

Como é aplicada hoje?

A ECT é feita com anestesia e só pode ser realizada em ambiente hospitalar, seguindo um protocolo específico que garante a segurança do paciente. Há também o acompanhamento com monitoramento com eletrocardiograma e eletroencefalograma.
“O paciente se interna em jejum, recebe anestesia e uma analgesia. A medicação impede manifestações musculares da convulsão provocada pela descarga elétrica, ou seja, não há risco do paciente se machucar. A convulsão (que é a eficácia do tratamento) é notada apenas no monitor”, afirma o dr. Mario.
Todo o procedimento, desde a chegada do paciente até a liberação, dura em média 30 minutos. Se tudo correr bem, ele volta pra casa no mesmo dia e pode retomar suas atividades normalmente.
A periodicidade do tratamento é avaliada individualmente, levando em consideração o histórico do paciente e o diagnóstico, mas geralmente a ECT é prescrita entre uma e três vezes por semana, dependendo do quadro. Depois, ele continua medicado e deve seguir com seu acompanhamento médico.

ECT tem base científica? Funciona mesmo?

Diversos estudos têm sido feitos pelo mundo, a maioria apontando para os benefícios. “Uma pesquisa rápida no PubMed (banco de dados de publicações científicas médicas) com o termo “electroconvulsive therapy” fornece 14.840 artigos científicos”, aponta o dr. Moacyr Alexandro Rosa fundador e diretor do Instituto de Psiquiatria Avançada em Neuroestimulação (IPAN).
O que os estudos comprovam é que a ECT ajuda a regular a liberação dos neurotransmissores responsáveis pela transmissão de impulsos de informações de um neurônio para o outro. “Seu resultado químico é muito similar ao proporcionado pelos antidepressivos, porém com resultados muito mais rápidos e efetividade muito maior”, garante o diretor da ABP.
O dr. Moacyr, que aplica a técnica, comenta sobre pacientes que estavam internados em estado gravíssimo, com alimentação por sonda, mas que com algumas sessões de ECT voltaram à vida normal. “Também temos casos de pacientes que tentaram suicídio dias seguidos, com duas ou três tentativas por dia, e na segunda sessão de ECT já não tinham mais pensamentos suicidas”, completa o dr. Mario.

Quando é indicada?

Principalmente em casos de depressão grave, que pode culminar em suicídio, e esquizofrenias graves e não responsivas, e quadros psiquiátricos que não respondem aos medicamentos.
Para se ter uma ideia da segurança do tratamento, ele é indicado até para mulheres grávidas, já que é uma alternativa ao uso de medicamentos que poderiam fazer mal à saúde do bebê.

Por que caiu em desuso e voltou?

A técnica era largamente usada antes do surgimento das medicações, portanto, caiu em desuso com a chegada dos antidepressivos e os antipsicóticos.
“As drogas surgiram como uma solução menos impressionante (como era a ECT antigamente) para os transtornos mentais. Contudo, as limitações das medicações também foram a principal causa do retorno da ECT. Casos que não melhoraram, excesso de efeitos colaterais e demora para fazer efeito são exemplos de limitações. Nestas situações a ECT é superior”, indica o dr. Moacyr.

Quem faz?

O maior centro de referência de ETC do país é o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPQ /HC-FMUSP). E há outros institutos especializados autorizados, como o IPAN.
“Há uma regulamentação do Conselho Federal de Medicina que especifica tudo: como deve ser montada a sala, a obrigatoriedade da presença de um anestesista, do psiquiatra, da aparelhagem para intervenções de urgência… Essas mudanças trouxeram a ECT para uma posição importante no tratamento de alguns casos psiquiátricos”, aponta o dr. Mario.

Traumas da história

Infelizmente, a história não foi justa com a ECT. Sabemos que os eletrochoques foram usados sem nenhum critério, de forma punitiva, como tortura ou mesmo em manicômios desprovidos de cautela. “A ideia de choques na cabeça também assombra o imaginário popular, apesar da medicina realizar procedimentos mais invasivos”, aponta o dr. Moacyr.
Mas a realidade da terapia hoje é completamente diferente da forma como foi usada. “A luta que vemos hoje contra a ECT é ideológica e não científica”, defende o dr. Mario.

Polêmica atual

Em fevereiro deste ano, o governo brasileiro começou a estudar uma proposta de financiamento para compra de equipamentos para implementar o tratamento de eletroconvulsoterapia pelo SUS, mas isso gerou uma série de discussões. Não pela eficácia do tratamento, mas pela possibilidade de despreparo do nosso sistema de saúde para o uso dessa técnica. Até o momento, o governo ainda está estudando a compra dos equipamentos.

Confira a reportagem na íntegra: https://mdemulher.abril.com.br/saude/eletrochoques-eles-voltaram-mas-nao-como-antigamente-entenda/

Wednesday, September 5, 2018

Setembro Amarelo: campanha de combate ao suicídio



setembro-amarelo

Vamos falar de suicídio?

Você sabia que, todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida e que mais de 20 mil pessoas cometem suicídio ao redor do planeta?

Por ano são quase 1 milhão de pessoas que se matam, uma a cada 40 segundos – são mais vítimas que todas as guerras, homicídios e conflitos civis somados. E, para cada morte por suicídio, existem outras 10 ou 20 pessoas que já tentaram e não obtiveram êxito.

Os números são alarmantes, mas o Brasil é um país com índices baixos (6 casos por 100 mil habitantes, contra 12 da média mundial). No entanto, enquanto os índices têm caído na maioria dos países, as taxas brasileiras avançam. Entre 2002 e 2012, o número de casos subiu 34%.

Entre adolescentes de 10 a 14 anos, o aumento chegou a 40% de acordo com levantamento do Mapa da Violência. Em geral, as motivações que levam adolescentes a terem comportamentos suicidas são complexas, podemos citar o suicídio de figuras proeminentes ou de pessoas conhecidas pessoalmente, e até mesmo o fenômeno dos suicidas em grupo ou de comunidades semelhantes que encaram o comportamento suicida como um estilo de vida.

Outro grupo que tem taxas elevadas de suicídio são os idosos. As motivações também são diversas, ou pela perda de parentes, sobretudo do cônjuge, por solidão, enfermidades degenerativas ou dolorosas, e até pela sensação de dar muito trabalho à família.

Falando ainda sobre dados estatísticos, é curioso notar que o suicídio é cerca de três vezes maior entre os homens do que entre as mulheres. No entanto, as tentativas de suicídio são, em média, três vezes mais frequentes entre as mulheres.

Veja abaixo os principais fatores de risco associados ao comportamento suicida.

Doenças mentais
. Depressão
. Transtorno bipolar
. Transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e de outras substâncias
. Transtornos de personalidade
. Esquizofrenia
. Aumento do risco com associação de doenças mentais: paciente bipolar que também seja dependente de álcool terá risco maior do que se ele não tiver essa dependência

Aspectos sociais
. Gênero masculino
. Idade entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos
. Sem filhos
. Moradores de áreas urbanas
. Desempregados ou aposentados
. Isolamento social
. Solteiros, separados ou viúvos
. Populações especiais: indígenas, adolescentes e moradores de rua

Aspectos psicológicos
. Perdas recentes
. Pouca resiliência
. Personalidade impulsiva, agressiva ou de humor instável
. Ter sofrido abuso físico ou sexual na infância
. Desesperança, desespero e desamparo

Condição de saúde limitante
. Doenças orgânicas incapacitantes
. Dor crônica
. Doenças neurológicas (epilepsia, Parkinson, Hungtinton)
. Trauma medular
. Tumores malignos
. AIDS

Suicidabilidade
Ter tentado suicídio, ter familiares que tentaram ou se suicidaram, ter ideias e/ou planos de suicídio.

Agora veja os principais fatores protetores do suicídio.

. Boa autoestima
. Bom suporte familiar
. Laços sociais bem estabelecidos com a família e amigos
. Religiosidade, independente de afiliação religiosa
. Razão para viver
. Ausência de transtorno mental
. Estar empregado
. Capacidade de adaptação e resolução positiva de problemas
. Acesso a serviços e cuidados de saúde mental
É provável que você não conheça esses dados, e sabe por que não os conhece? Porque o suicídio costuma vir acompanhado de um fator que contribui para o seu alastramento: o silêncio.

Falar é a melhor solução!

É por isso que o Setembro Amarelo foi criado. O movimento acontece todos os anos no mês de setembro em todo o mundo e tem como ponto de atenção o dia 10 – Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Iniciado no Brasil em 2014 pelo CVV – Centro de Valorização da Vida, CFM – Conselho Federal de Medicina e ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria, tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre essa questão de saúde pública, divulgando, esclarecendo e estimulando a prevenção, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos, com a ajuda e atenção de quem está por perto. Durante todo o mês, inúmeros monumentos ganham iluminação amarela para chamar a atenção da população em várias cidades do país. São feitas também ações de rua, como caminhadas, passeios de bicicleta e motocicleta, abordagens em locais públicos, além de palestras, workshops e muitas outras ações, tudo para que possamos quebrar tabus e vencer o preconceito.

Hoje, quem sofre, sofre calado. O medo de falar sobre pensamentos suicidas e ser julgado faz com que as pessoas se calem. No entanto, o que essas pessoas sentem é mais comum do que se divulga, e é importante que sabiam que muitas outras pessoas também sofrem. Amigos, familiares e pessoas próximas, em geral, têm a sensação de que não podem ajudar, pensam que, por não saberem identificar os sinais ou por não terem familiaridade com a abordagem mais adequada, nunca vão conseguir oferecer ajuda. Mas isso não é verdade.

Entender que a doença mental é uma condição séria e fora do controle de quem sofre, é o primeiro passo para vencer preconceitos e poder oferecer ajuda a quem precisa. Sua conscientização e adesão nos ajudará a conscientizar mais e mais pessoas. Se tiver uma camiseta ou qualquer outro item de vestuário amarelo, tire do armário e use em setembro. Informe-se sobre as ações do Setembro Amarelo, alerte seus amigos e familiares e participe! Quanto mais falamos e nos engajamos, mais contribuímos para a prevenção e diminuição do número de vítimas fatais do suicídio.
Informações sobre fatores de risco extraídas da Cartilha “Suicídio – informando para prevenir”, página 23. Acesse o conteúdo completo clicando aqui.