Assista o vídeo que compara as indicações entre os tratamentos de Eletroconvulsoterapia (ECT) e a Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr).
Apresento alguns textos informativos sobre transtornos psiquiátricos. Esses textos tem caráter meramente de conscientização e informação. Sua leitura não substitui a consulta, o diagnóstico e o aconselhamento de um médico.
Tuesday, March 30, 2021
Friday, June 19, 2020
Saúde mental em tempos de COVID-19
Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a Covid-19, o novo coronavírus, tinha se tornado uma pandemia, o mundo praticamente parou. Um cenário de pânico e incertezas tinha sido criado: a preocupação com uma doença desconhecida, contagiosa e potencialmente fatal, especialmente para alguns casos; a especulação em torno de sua forma e rapidez de transmissão; a falta de um remédio eficaz e de uma vacina disponível.
A população foi adoecendo pelo novo coronavírus, lotando hospitais e sobrecarregando os sistemas de saúde. O alto número de mortes tem assustado a todos. Muitas pessoas estão perdendo seus entes queridos sem poder, ao menos, se despedir. O medo de se contaminar e até mesmo de morrer tem nos assombrado.
O isolamento social foi adotado para tentar reduzir o contágio da doença. Escolas, comércios, empresas, etc. e tal foram fechados. Viagens, festas, casamentos, muitos sonhos foram interrompidos. Logo surgiram os problemas financeiros como o desemprego, cortes de salário, fechamento de empresas, etc., aumentando ainda mais a desigualdade social.
O confinamento domiciliar durante a quarentena também tem causado grande impacto emocional. A falta da liberdade, pilar fundamental da democracia, traz a sensação de se estar preso dentro de casa. Em algumas situações, o ambiente tem se tornado tão difícil, que houve até aumento da violência doméstica. A maioria das pessoas tem sentido dificuldade em se adaptar às mudanças do dia a dia. A falta de atividade física e de atividades de lazer; a saudade da família, dos amigos, do convívio social; coisas que eram a exceção se tornaram rotina. Enfim, a solidão bateu.
Tudo isso tem deflagrado prejuízos no bem-estar físico e mental na população.
Em muitos lugares, o desespero foi tamanho, levando a população a fazer compras em massa de mantimentos, produtos de limpeza e equipamentos de proteção individual (EPIs). Com isso, o estoque de comércios se esgotou e deixou a população ainda mais insegura.
Outro problema sério que vem ocorrendo e se faz necessário alertar a população, é o perigo da automedicação. A divulgação de dados preliminares sobre possíveis eficácias de medicamentos no combate ao novo coronavírus, tem levado a população a se automedicar. Em alguns casos, os danos à saúde foram tão graves, que causaram intoxicação e até mesmo morte.
Não bastasse tudo isso, houve ainda até aqueles que não acreditassem na existência ou na gravidade do novo coronavírus, chegando a chamar a pandemia de “histeria coletiva.”
De fato, um cenário como esse, pode levar a população a beira de um ataque de nervos.
Eventos traumáticos, assim como a pandemia de Covid-19, podem causar ou agravar transtornos mentais, tais como: depressão, ansiedade, pânico, insônia, abuso de substâncias, estresse agudo e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e levar até ao suicídio, em casos extremos.
Os danos psicológicos causados pela pandemia podem atingir qualquer pessoa, independentemente de raça, gênero e classe social. Em especial, os profissionais de saúde têm apresentado uma maior prevalência de transtornos mentais, principalmente por enfrentar ambientes inadequados de trabalho, com alto risco de contaminação, com falta de EPIs, ausência de respiradores e leitos em UTI (unidades de terapia intensiva). Sem falar na sobrecarga de trabalho, exaustão física e emocional, na frustração das perdas de pacientes e na discriminação, muitas vezes sofrida.
Desde a antiguidade, as pandemias assombram a população, mas sem dúvida, a pandemia do novo coronavírus foi algo inesperado e desafia o mundo.
Infelizmente, é uma realidade que precisa ser enfrentada. Entender que todos estão na mesma situação, cuidar da saúde física e mental, ter compaixão e cuidados uns com os outros, mesmo estando longe. Respeitar as orientações da OMS, apoiar os profissionais de saúde, nunca se automedicar, buscar informações de fontes seguras, evitando notícias sensacionalistas. Procurar ajuda psicológica e psiquiátrica se o estresse sair do controle. E, acima de tudo, compreender que o surgimento do novo coronavírus fez surgir a necessidade de um “novo normal”.
Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876. IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação.
Todos direitos reservados
Referências:
- Anurudran A, Yared L, Comrie C, Harrison K, Burke T. Domestic violence amid COVID-19 [published online ahead of print, 2020 May 30]. Int J Gynaecol Obstet. 2020;10.1002/ijgo.13247. doi:10.1002/ijgo.13247
- APA Fagan, Joanne PhD; Galea, Sandro MD, DrPH; Ahern, Jennifer MPH; Bonner, Sebastian PhD, and; Vlahov, David PhD Relationship of Self-Reported Asthma Severity and Urgent Health Care Utilization to Psychological Sequelae of the September 11, 2001 Terrorist Attacks on the World Trade Center Among New York City Area Residents, Psychosomatic Medicine: November-December 2003 – Volume 65 – Issue 6 – p 993-996 doi: 10.1097/01.PSY.0000097334.48556.5F
- Ho CS, Chee CY, Ho RC. Mental Health Strategies to Combat the Psychological Impact of COVID-19 Beyond Paranoia and Panic. Ann Acad Med Singapore. 2020;49(3):155‐160.
- Mowbray, H. (2020). In Beijing, coronavirus 2019-nCoV has created a siege mentality. British Medical Journal, 2020, 368.
- Torales J, O’Higgins M, Castaldelli-Maia JM, Ventriglio A. The outbreak of COVID-19 coronavirus and its impact on global mental health. Int J Soc Psychiatry. 2020;66(4):317‐320.
Thursday, February 27, 2020
Como é realizada a Estimulação Magnética Transcraniana?
Wednesday, February 26, 2020
Wednesday, May 8, 2019
Vício em Jogos

Vício em jogos: a diversão que pode se transformar em compulsão e transtorno mental
É comum ao andar pelas ruas, e mesmo ao circular por transportes ou locais públicos, nos depararmos com pessoas completamente absortas em seus smartphones, com fones de ouvido, jogando! A prática pode ser um excelente passatempo, no entanto, se o ato se tornar compulsivo, pode indicar a presença de um transtorno mental.É o que afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS), através da última revisão do manual de classificação de doenças, que qualifica a compulsão por jogos virtuais como uma condição de saúde mental, atestando que cerca de 3% dos jogadores já podem ser considerados viciados. Uma classificação que pode ajudar governos, familiares e profissionais de saúde a se manterem vigilantes e mais preparados para identificar os sinais do problema.
Segundo a OMS, a proposta de classificar o vício em jogo como um transtorno de saúde mental foi aceita com base em evidências científicas, assim como na crescente necessidade e demanda por tratamentos em muitos países. Na Inglaterra, por exemplo, já existe uma clínica de reabilitação para tratar crianças e jovens com vício em internet e videogames, mas ainda é uma das primeiras do gênero no mundo.
Outras entidades como a Associação Americana de Psiquiatria, nos Estados Unidos, ainda não consideraram o distúrbio do jogo como um novo problema de saúde mental. Entre os motivos para a não classificação, está a necessidade de mais pesquisas e testes clínicos que a justifiquem. Ainda assim, a associação não contradiz os resultados das pesquisas publicadas até agora. Para Mark Griffiths, pesquisador do conceito de transtorno de jogo há 30 anos, a nova classificação pode ajudar a legitimar o problema e fortalecer as estratégias de tratamento. Ele afirma que o número de jogadores viciados é menor que 1% e que a maioria provavelmente apresenta problemas subjacentes, como depressão, transtorno bipolar ou autismo.
Preocupação familiar
Diante desse quadro, torna-se imprescindível observar o comportamento de crianças, adolescentes e jovens, mas vale salientar que, mesmo passando muitas horas na internet ou jogando com frequência, esses indivíduos não necessariamente são portadores de algum transtorno ou clinicamente viciados. Para a maioria, os jogos estão relacionados a entretenimento e novidade, como no caso do ‘Pokemon Go’, que foi uma febre entre a população mundial durante o seu lançamento, mas que hoje já não é tão jogado.Essa classificação da OMS, embora extremamente relevante, não pode inquietar pais e responsáveis desnecessariamente ou estigmatizar os jogadores, mas deve soar como um alerta, já que crianças, adolescentes e jovens não costumam buscar ajuda por conta própria. Um dos principais sinais de existência do vício é perceber se os videogames interferem nas funções diárias da pessoa, como nos estudos, na socialização ou mesmo no trabalho. Se isso estiver acontecendo, talvez seja hora de buscar ajuda.
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