Friday, September 30, 2016

A cetamina como antidepressivo!

A administração repetida de cetamina pode manter efeito antidepressivo

Um novo estudo mostra que a administração repetida de cetamina pode ajudar a manter o efeito antidepressivo para além da dose inicial em pacientes com depressão resistente ao tratamento.
A cetamina, um anestésico injetável, demonstrou um rápido efeito antidepressivo. Mas o efeito é de duração relativamente curto e ainda não foi definido como sustentar a eficácia da cetamina por um período mais longo através de um esquema ideal de doses em longo prazo.

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O novo estudo mostrou que uma dose de cetamina de 0,5 mg/kg, duas ou três vezes por semana sustentou o efeito antidepressivo por mais de quinze dias.

“Como um tratamento com frequência menor de administração é normalmente a melhor escolha a fim de reduzir custos e o fardo do paciente e da clínica, este resultado, tomado em conjunto com outros dados adquiridos durante as fases duplo-cego e aberta do estudo, sugere que o regime de tratamento de administração de duas vezes por semana de quatro a seis semanas pode induzir e manter (até o décimo quinto dia) um efeito antidepressivo concreto na população com depressão resistente ao tratamento”, escreveram os autores, liderados pelo Dr. Jaskaran B. Singh, da Janssen Research and Development em Titusville, Nova Jersey.

O estudo foi publicado online em 08 de abril no American Journal of Psychiatry.

Ensaio clínico randomizado

O estudo duplo-cego, multicêntrico e randomizado incluiu 68 pacientes com depressão resistente ao tratamento. Os participantes receberam cetamina intravenosa (0,5 mg/kg de peso corporal) ou placebo, administrados ao longo de 40 minutos, duas ou três vezes por semana por até quatro semanas. Os pacientes cujo tratamento duplo-cego foi interrompido após pelo menos duas semanas devido à falta de eficácia tinham a opção de participar de uma fase aberta do estudo de duas semanas para receber cetamina na mesma frequência da fase duplo-cego.

A principal medida de desfecho primário foi a alteração a partir do início do estudo para o décimo quinto dia na pontuação total na Escala de Depressão de Montgomery-Asberg (MADRS).
As taxas de resposta foram de 68,8% para a dosagem de duas vezes por semana e 53,8% para a dosagem de três vezes por semana no décimo quinto dia, relatam os pesquisadores.

A alteração média da pontuação MADRS do início do estudo para o décimo quinto dia foi significativamente melhor em ambos os grupos de cetamina em comparação com os respectivos grupos placebo (cetamina duas vezes por semana: -18,4 versus -5.7 placebo; p <0 -17.7="" cetamina="" em="" por="" s="" semana:="" tr="" vezes="">versus
-3.1 placebo; p <0 p="">
Foram feitas observações semelhantes para a cetamina durante a fase aberta (duas vezes por semana, -12,2 no quarto dia; três vezes por semana, em dias -14,0 no quinto dia). No geral, a diferença média na pontuação MADRS não diferiu entre as duas frequências de dose testadas.

Ambos os regimes foram geralmente bem tolerados, relatam os pesquisadores. Durante a fase duplo-cego, as taxas de eventos adversos do tratamento foram superiores em ambos os grupos de cetamina em comparação aos respectivos grupos placebo (cetamina duas vezes por semana, 83,3% versus 56,3% com placebo; cetamina três vezes por semana, 76,5% versus 50,0% com placebo).
Nenhuma morte foi relatada.

Dois pacientes do grupo de cetamina de duas vezes por semana apresentaram eventos adversos graves adversos do tratamento. Um paciente apresentou ansiedade relacionada a um acontecimento em sua vida, que o levou à hospitalização no décimo segundo dia; o outro tentou suicídio no quadragésimo dia (mais de quatro semanas após receber a última dose). Não foi considerado que nenhum destes eventos adversos tinha relação com a cetamina.

Cefaleia, ansiedade, dissociação, náuseas e tonturas foram os eventos adversos mais comuns do tratamento (≥20%). Sintomas dissociativos ocorreram “transitoriamente e de forma atenuada”, com doses repetidas, relatam os pesquisadores.

As limitações do estudo incluem a duração relativamente curta e a avaliação da indução e manutenção da resposta por apenas quatro a seis semanas.

“A depressão resistente ao tratamento é uma condição crônica, e são necessários estudos com uma duração mais longa para caracterizar plenamente se os benefícios clínicos da cetamina podem ser mantidos e, em caso afirmativo, se eles podem ser mantidos apesar da redução na frequência de doses durante o tratamento crônico, “concluem os pesquisadores.

Um passo à frente

O Dr. Michael Thase, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, que não esteve envolvido no estudo, concorda que mais pesquisas são necessárias. De acordo com ele, este estudo é um “pequeno passo positivo à frente – e tranquilizador até determinado ponto. Agora precisamos de evidências do que fazer a seguir”, disse ao Medscape.

O Dr. Paulo Shiroma, do Departamento de Psiquiatria da University of Minnesota Medical School, em Minneapolis, publicou recentemente um estudo no qual infusões repetidas de cetamina alcançaram resultados antidepressivos superiores em comparação com uma infusão única.
“A estratégia para aumentar a resposta à cetamina na depressão resistente ao tratamento não é nova, no entanto, é pouco estudada”, Dr Shiroma, que não esteve envolvido no novo estudo, disse ao Medscape.

“Uma vez que cada infusão é um trabalho intensivo e não isento de efeitos colaterais, faz sentido encontrar a frequência ideal de risco/benefício. No entanto, como os autores (do presente estudo) mencionaram, o estudo não foi projetado para fazer uma comparação direta entre os dois esquemas de tratamento. Por isso, um estudo de não inferioridade entre os dois esquemas de tratamento será necessário”, disse Dr. Shiroma.

“A outra questão é o uso de soro fisiológico como placebo. Os efeitos colaterais da cetamina, especialmente a dissociação, durante a infusão são tão óbvios para os pacientes (e avaliadores também) que o cegamento praticamente não existe”, acrescentou.

“No geral, acho que o estudo corrobora a eficácia em curto prazo e a segurança relativa da administração endovenosa repetida de cetamina na depressão resitente ao tratamento. Ainda está faltando definir como manter com segurança a resposta obtida por infusões repetidas”, disse o Dr. Shiroma.

Greg Panico, porta-voz da Janssen Research and Development, que financiou o estudo, disse aoMedscape que a empresa tem um programa de pesquisa multifacetada sobre a cetamina. A empresa está estudando “escetamina intranasal como uma terapia para a depressão resistente ao tratamento e também como um medicamento para pacientes com risco iminente de suicídio. O nosso programa na depressão resistente ao tratamento está atualmente na fase 3 de estudos clínicos e nós completamos um estudo de prova de conceito (fase 2) em pacientes com risco iminente de suicídio, o qual será apresentado no congresso Society for Biological Psychiatry em Atlanta, em maio”.

Vários autores declararam relacionamentos financeiros com Janssen Research and Development e outras empresas farmacêuticas. Todos os conflitos de interesse estão listados no artigo original.
Am J Psychiatry. Publicado online em 08 de abril de 2016. Resumo

Por Megan Brooks em Medscape

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