Friday, August 14, 2015

O FATOR FÍSICO E A DEPRESSÃO



Prevenir e tratar a depressão Coleção Viva Saúde, edição especial
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A sinapse, que é a comunicação entre neurônios, é a base do funcionamento cerebral e do sistema nervoso. Na depressão acontece uma diminuição na quantidade de neurotransmissores liberados, mas a bomba de recaptação e a enzima continuam trabalhando normalmente. Então, o neurônio receptor captura menos neurotransmissor e o sistema nervoso funciona com menos combustível, o que faz com que bioquimicamente a pessoa tenha queda do rendimento como um todo.

Os Principais Sinais e Fatores de Risco

Dor de barriga, nas têmporas, nas costas, estes podem ser os primeiríssimos sinais de que alguém está prestes a mergulhar de cabeça em quadro depressivo. Mas esses sintomas são muitos genéricos para se pensar em fazer um diagnóstico de depressão, mesmo porque  há vários tipos e subtipos da doença, e para cada um deles há diferentes indicadores de seu início.
Por isso, é necessário fazer um profundo relatório sobre a vida atual do paciente, incluindo a história, a rotina, os hábitos, e os grupos social e familiar aos quais pertence. “Depois disso, é feita uma análise das mudanças repentinas de comportamento, como a pessoa que tinha como hábito de sair com os amigos semanalmente e inesperadamente abre mão desse convívio”, exemplifica Pepita Rovira Prunos, psicicóloga e psicanalista, vice-presidente da Sociedade Paulista de Psicanálise (SPP).
Os primeiros sintomas mais associados à depressão são, em geral, psíquicos, “como desânimo, desalento, falta de interesse, falta de motivação, e pode haver também sintomas físicos como insônia, inapetência, falta de energia física”, esclarece o professor Miguel Chalub.

Exames necessários

Como não existem exames físicos que permitam diagnosticar claramente a presença da depressão, os exames realizados são aqueles que podem comprovar ou não a ocorrência de outras doenças com sintomas semelhantes. “ Os exames podem ser feitos para afastar outras causas do quadro clínico apresentado”, explica Chalub. Por exemplo, é comum que seja solicitado o exame de sangue para detectar a diminuição dos hormônios tireoidianos, que caracterizam o hipotireoidismo. Assim como a tomografia computadorizada pode ajudar a excluir possibilidade de doenças neurológicas.

Tratamento: medicar ou não

Cada caso de depressão exige um tratamento personalizado. De acordo com o diagnóstico, podem ser necessárias abordagens que vão desde o uso de medicação, eletroconvulsoterapia (ECT), até psicoterapias individuais, de grupos ou familiares. A idade e o sexo também podem influenciar o tratamento. “ Basicamente são os mesmos sintomas, contudo a abordagem psicanalítica e os medicamentos são um pouco diferentes”, diz Pepita. Como na maioria dos tratamentos para psicopatologias, nem todos os especialistas são a favor do uso de medicamentos.
“Um estudo recente mostrou que a psicanálise ou a psicoterapia psicodinâmica a longo prazo apresentam resultados mais consistentes que a medicação”, defende o psicanalista Dunker. Mas ele conta que, apesar dessa controvérsia, ainda vigora o consenso de que a utilização de medicamentos, principalmente antidepressivos é necessária, benéfica e sobretudo deve ser acompanhada pela participação ativa e continuada do paciente na elaboração da estratégia geral de tratamento.
O plano terapêutico compreende três fases: aguda, de continuidade e de manutenção. A primeira dura de 6 a 12 semanas e tem como objetivo buscar a regressão dos sinais e sintomas da doença. Se não houver resposta, o diagnóstico necessita de uma reavaliação e, se for o caso, de uma modificação no esquema de tratamento. A atividade física e laboral, além de uma alimentação equilibrada, também são ressaltadas como formas complementares em quase todos os tratamentos bem-sucedidos.
E depressão tem cura. Mas também pode matar. A regra é que não há regra. “Se restringirmos a noção da cura ao controle do exagero, á recuperação da autonomia no interior da depressão e à melhor orientação na vida, posso dizer que a depressão tem cura”, define o especialista Dunker.

Tratamento duradouro

O que o especialista explica é que isso não evita o retorno da doença e a necessidade do acompanhamento médico ao longo da vida do paciente. A depressão é uma resposta ao empobrecimento da forma de viver reduzida a parâmetros de funcionalidade e adequação. Ou seja, pessoas que têm dificuldade de se relacionar, por exemplo, tendem a ser depressivas, e o tratamento pode, sim, perdurar durante toda a vida do paciente.

Respostas positivas

Cerca de 70% dos pacientes respondem à primeira etapa do tratamento terapêutico, mas apenas 30% alcançam a total supressão dos sintomas, levando uma vida absolutamente normal, sem recaídas.
“Acho importante explicar que a cura da depressão não significa a completa erradicação das mudanças de humor, e daquelas variações de desejos. É natural do ser humano que haja inconstância, dúvidas, oscilações.”
E acrescenta: “Se cura fosse a exclusão permanente e indelével da doença, em todos os seus tipos e modalidades, poderíamos nos tornar mais saudáveis, mas nos tornaríamos certamente menos humanos”, acredita Dunker.

Uma Epidemia no Mundo

Uma pesquisa coordenada pela World Mental Health Survey Initiative, projeto da Organização Mundial da Saúde para saúde mental, investigou a prevalência da depressão pelo mundo. Os  países pesquisados foram dividido em dois grupos: alta renda (Bélgica, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos) e baixa e média renda (Brasil – com dados exclusivamente de São Paulo -, Colômbia, Índia, China, Líbano, México, África do Sul e Ucrânia).
Confira a matéria completa na edição especial da Revista Coleção Viva Saúde!

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