Friday, August 14, 2015

Afinal, o que é a depressão

Prevenir e tratar a depressão

Coleção Viva Saúde, edição especial
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Estima- se que entre 15% e 25 % das pessoas possam ter uma crise depressiva pelo menos uma vez na vida, que precise de tratamento, segundo o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Na população em geral, as estatísticas mostram que de 5 % a 12% dos homens têm ou já tiveram depressão. Entre as mulheres o percentual é de 10% a 15%. “Elas , por causas puramente históricas, sociais e culturais, são mais sujeitas à depressão, mas o quadro clínico é o mesmo para os dois sexos “, define Miguel Chalub, professor do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo Christian Dunker, psicanalista e professor do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) é possível definir a depressão das seguintes maneiras:

É UM ESTADO PSICOLÓGICO QUE EXAGERA, intensifica ou prolonga a resposta esperada para a perda, ausência ou a indisponibilidade de algo ou alguém. Neste sentido a depressão é um luto patológico. É por isso que encontramos no quadro clínico da depressão os mesmos sinais do luto. “ a depressão não é o luto e sua experiência  de tristeza, mas a exageração, a intensificação, a suspensão, o bloqueio ou o prolongamento, do luto, que por si só é um trabalho e uma disposição psíquica útil e necessária”, define Dunker.

É UM TIPO DE FUNCIONAMENTO, ou seja, um modo de realizar um laço social e interpessoal com o outro no que diz respeito à separação, ao desligamento ou à distância. Assim como no caso anterior, ela pode estar presente em situações específicas durante a vida, ou pode acompanhar de modo crônico os sintomas da neurose, da psicose ou da perversão. Elas podem se acentuar ou se atenuar ao longo da vida ( em função de contingência particulares),mas sempre estarão presentes, como que à espreita do momento oportuno para se manifestar.

É UMA CONDIÇÃO QUE ORGANIZA E DEFINE AS RELAÇÕES  do sujeito com os outros, de forma fundamental e mais ou menos permanente. Neste terceiro caso, a depressão que alguns autores ligam à clássica melancolia, depois também chamada de psicose maníaco-depressiva, e atualmente associada aos quadros bipolares de tipo mais grave.


As origens: evitar é possível

Como em todos os transtornos de humor, não existem causas bem definidas para a depressão. O desencadeamento das crises geralmente acontece como resultado da soma de múltiplos fatores, que podem variar de uma pessoa para outra, de acordo com uma maior ou menor tendência para desenvolver a doença.
A predisposição genética, por exemplo, é um desses fatores e se define pelo funcionamento do cérebro. Nele existem os neurotransmissores, que são moléculas que levam o impulso nervoso entre um neurônio e outro. As mais importantes são a serotonina, noradrenalina e dopamina. A depressão se caracteriza pelo mau funcionamento dessa cadeia de comunicação. “ Como se a mensagem ficasse solta no cérebro e não desse a sequência necessária para o vigor do dia”, explica Edna Maria Motta, psicóloga com atuação em psicanálise, professora de Psicopatologia e idealizadora do Instituto Crescendo em São José dos Campos (SP).

O mapa da prevenção

Prevenis é sempre melhor do que remediar. No caso da depressão, o que pode ajudar a evitar a doença está diretamente relacionado a uma vida saudável tanto física quanto mentalmente. Isso envolve bons hábitos alimentares, prática exercícios físicos, relações afetivas e atividades que estimulem a mente de maneira criativa.
Nos próximos capítulos abordaremos de maneira detalhada a influência dos alimentos e das atividades físicas no tratamento da depressão.
O diagnóstico de depressão envolve exames físicos e psicológicos. Uma boa avaliação deve incluir também um histórico detalhado dos sintomas, quando começaram. Há quanto tempo duram, qual a intensidade, se já acorreram antes e se já feito algum tratamento anterior. Saber da ocorrência da depressão em familiares também faz parte da investigação, pois a doença pode se manifestar por caráter hereditário.
Com relação aos exames físicos, eles devem incluir uma avaliação do estado mental para determinar se o padrão de pensamento ou discurso e a memória estão afetados, como frequentemente ocorre na depressão. “ Não há exames clínicos , radiológicos ou de neuroimagem que permitam diagnosticar com precisão a presença da doença”, alerta Dunker.

Parece, mas não é

Muitas enfermidades podem apresentar sintomas semelhantes aos da depressão. As mais comuns são doenças endócrinas, como hipotireoidismo e obesidade, vários tipos de câncer, doenças crônicas dolorosas, assim como algumas doenças neurológicas.
Some-se a elas medicamentos específicos, utilizados com outras finalidades mas que, entre seus efeitos colaterais, podem levar a quadros de depressão.
O psicanalista Dunker alerta que certos tipos de depressão estão associados com outras perturbações. Ele cita como exemplo o alcoolismo, casos de adoecimento como pós-acidente cardíaco, pós-isquemias, dor crônica como a fibromialgia, como o luto e dificuldades ligadas a momentos de vida como a menopausa ou gravidez.

Tristeza base

O especialista ainda comenta que há formas de se diferenciar esses tipos de depressão: “Um bom critério para distinguir a depressão de basa daquela como efeito colateral de uma condição clínica ou vital é perguntar pela história dos sintomas e suas variações”, diz Dunker. “ Quanto mais fixos e recorrentes, maior a possibilidade de que estejamos diante de uma depressão primária (de base), não reativa”, conclui.
Confira a matéria completa na edição especial da Revista Coleção Viva Saúdel

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