Tuesday, September 3, 2013

"Nova Abordagem para a depressão", The New York Times


"Nova Abordagem para a depressão", The New York Times

 Artigo publicado no The New York Times

Por Roni Caryn Rabin

Foto com Dr. Alan Manevitz e sua assistente, Joanna Robben, durante uma sessão de EMT.

Martha Rhodes teve a primeira crise de depressão aos 13 anos de idade. Por volta dos 50 anos, ela tinha tomado quase todos os antidepressivos existentes, incluindo Zoloft, Lexapro, Paxil, Effexor, Lamictal, Seroquel e Abilify. Alguns funcionavam por um tempo, e, a maioria, tinha efeitos colaterais.

Depois de uma tentativa de suicídio em 2009, ela tentou algo radicalmente diferente: a estimulação magnética transcraniana (EMT), ou do inglêsTranscranial Magnetic Stimulation (TMS). É um tratamento que utiliza pulsos magnéticos para estimular regiões do cérebro envolvidas na regulação do humor. Ao contrário da eletroconvulsoterapia (ECT) ou eletrochoque, que também é usado para tratar a depressão, a EMT não gera convulsão.

O tratamento durou 6 semanas e pouco mais de meia hora por dia. Eu ficava sentada em uma cadeira com um ímã afixado no lado esquerdo da minha cabeça. Após quatro semanas, "Eu acordei e havia algo diferente", disse a Sra. Rhodes, que escreveu um livro, "3000 Pulsos Later" descrevendo o tratamento. "Eu me senti mais leve. Eu acordei pela manhã e não queria mais morrer. "

Para a Sra. Rhodes, de 63 anos, uma ex-publicitária de alto escalão em Danbury, Connecticut, tratamento com EMT foi transformador, e ela não precisa mais de antidepressivos. Mas há ainda muitas perguntas sobre quantos pacientes respondem a EMT, são necessárias sessões diárias durante várias semanas, com custo elevado e muitas vezes não é coberto pelo plano de saúde.

O tratamento é realizado no consultório, o paciente fica sentado em uma poltrona com um grande ímã posicionado no lado esquerdo da cabeça. A ideia é que o campo magnético pulsátil, semelhante ao utilizado em RNM, cria uma corrente elétrica na superfície do cérebro restabelecendo o humor do paciente.

Nos EUA, a EMT é aprovada especificamente para pacientes com depressão refratária ou que não toleram os efeitos colaterais dos medicamentos, tais como ganho de peso e perda da libido. Muitos desses pacientes estão desesperados por tratamentos alternativos, mas não é certo que a EMT possa melhorar.

"Embora já esteja bastante claro que a EMT é eficaz em uma porcentagem de pacientes com depressão, ainda não é muito fácil predizer quais são os pacientes que melhoram", disse Dr. Steven J. Zalcman, o diretor clínico da agência de pesquisa em neurociência do Instituto Nacional de Saúde Mental.

Diretrizes práticas da Associação Psiquiátrica Americana (no inglês American Psychiatric Association - APA) sugerem que a EMT confere "de pequeno a moderado benefício", e que os resultados dos ensaios clínicos são misturados. "O copo está meio cheio ou meio vazio, depende de onde você está vindo", disse Dr. Mark S. George, um professor da Universidade de Medicina da Carolina do Sul, em Charleston.

Dr. George foi pesquisador no primeiro ensaio clínico randomizado com EMTr para tratar depressão resistente. O estudo descobriu que quase três vezes mais pacientes entraram em remissão após o tratamento EMTr verdadeira, em comparação com aqueles que receberam EMTr placebo. Mas o número foi pequeno: apenas 14 % dos pacientes tratados obtiveram remissão, enquanto 5% no grupo placebo.

Uma nova modalidade de tratamento, a EMT profunda, desenvolvida pela empresa israelense Brainsway e aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) deste ano, trouxe uma maior taxa de resposta em um ensaio clínico randomizado: 30% dos 233 pacientes obtiveram remissão, enquanto que 14,5% do grupo placebo.

Os pesquisadores da Braisnway alegam que o dispositivo tem como alvo regiões mais profundas do cérebro, como o núcleo accumbens, que desempenha um papel fundamental no circuito de recompensa do cérebro.

Segundo especialistas e o que parece mais próximo da realidade, os estudos que associaram antidepressivos com EMT, apresentaram taxas de resposta significativamente maiores do que no ensaio clínico conduzido pelo Dr. George. Um estudo recente e inédito, financiado por fabricantes de equipamentos, acompanharam os pacientes por um ano e encontraram um efeito duradouro, em cerca de metade dos pacientes que mantiveram melhora por 12 meses.

A vantagem da EMT é por não ser um tratamento invasivo e , ao contrário das medicações, parece ter poucos efeitos colaterais, apenas desconforto ou dor leve no no local do tratamento, ou dores de cabeça ocasional. No entanto, poucos pacientes abandonam o tratamento por causa da dor.

Efeitos a longo prazo não são conhecidos, mas a EMT não afeta a memória e a cognição, como eletroconvulsoterapia (ECT). Em casos raros, pode causar convulsões.

Em uma demonstração de uma sessão EMT no consultório do Dr. Alan Manevitz em Manhattan, a paciente, uma mulher de 55 anos que pediu para não ser identificada para preservar sua privacidade, se sentou em uma cadeira, enquanto um pequeno ímã era colocado sobre sobre o córtex pré-frontal do cérebro e apoiado por um braço mecânico.

Não houve anestesia ou sedação. O paciente podia ler ou assistir TV, mas não adormecer. Cochilar parece improvável, uma vez que o tratamento faz um som rat-a -tat estridente como se fosse um pica-pau, durante quatro segundos, seguidos por 26 segundos de silêncio antes de continuar. A sessão diária dura cerca de 37 minutos.

A paciente, recebeu o tratamento completo de EMT e agora está fazendo tratamento de manutenção, pois ela apresentou remissão do quadro depressivo grave e de longa data.
"Eu nem percebi que eu escorreguei ", disse ela . " Eu gostaria de ter feito isso há muito tempo . "

Uma versão deste artigo foi publicada na imprensa em 07/02/2013, na página D6 da edição de Nova Iorque, com a manchete: Nova Abordagem para a depressão.




 

Confira a notícia no The New York Times 



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