Friday, March 15, 2013

Ondas magnéticas combatem depressão e tabagismo



Estudo israelita obtém resultados positivos utilizando
capacete estimulante do sistema nervoso

2013-02-26
A estimulação do sistema nervoso com ondas magnéticas reduz a vontade de fumar.
A estimulação do sistema nervoso com ondas magnéticas reduz a vontade de fumar.
Um capacete que emite ondas magnéticas para o cérebro pode ajudar no combate a doenças como a depressão, dependência do tabaco, Parkinson e autismo. O capacete foi desenvolvido por dois cientistas israelitas, o neurocientista Abraham Zangen e pelo físico Yiftach Roth.
O capacete emite ondas magnéticas para o cérebro, estimulando o sistema nervoso enquanto os pacientes estão conscientes. O presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, Nuno Sousa, explicou ao Ciência Hoje que “a estimulação magnética transcraniana usa campos magnéticos rapidamente alternantes para induzir uma corrente eléctrica do tecido neuronal subjacente, tipicamente córtex, que despolariza esses neurónios”.

O neurocientista português adiantou ainda que “a estimulação cerebral profunda, nomeadamente através de ondas magnéticas, é uma técnica que tem vindo a ser desenvolvida há vários anos e com resultados relevantes, nomeadamente em situações clínicas complexas como quadros depressivos resistentes”.

A neuromodulação em circuitos neuronais específicos, conseguida por exemplo com as ondas magnéticas, “pode promover alterações no funcionamento de quadros depressivos resistentes”, adianta Nuno Sousa.

Segundo, o mesmo responsável é ainda necessário apurar detalhadamente um uso “preciso e controlado no espaço e no tempo” destes processos.

A investigação israelita procedeu a um estudo no qual envolveu mais de três mil pessoas de todo o mundo. Para cada problema, foi criado um capacete diferente, “adaptado para transmitir as ondas magnéticas às áreas relevantes do cérebro", explica o cientista Abraham Zanger, chefe do laboratório de Neurociência da Universidade Ben Gurion.
Nuno Sousa, neurocientista e professor na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
Nuno Sousa, neurocientista e professor na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
Na área psiquiátrica verificou-se que os pacientes reagiram positivamente quando submetidos a este sistema. A investigação concluiu que 32,6% dos pacientes tratados com as ondas magnéticas apresentaram uma remissão completa da depressão e 38,4% demonstraram uma melhoria substancial.

Os capacetes foram também testados em 115 fumadores, que fumavam pelo menos 20 cigarros por dia, e que já tinham tentado deixar o tabaco com outros métodos. Fizeram sessões de 15 minutos por um período de três semanas.

Os resultados obtidos parecem promissores. Segundo Limor Dinur Klein, da Universidade de Telavive, Israel, “44% das pessoas pararam de fumar após o tratamento”. Inicialmente os pacientes tiveram algumas dores de cabeça, mas foram passageiras, “não sendo registado qualquer dano na capacidade cognitiva dos participantes”.

Do número de participantes que não deixou de fumar (80%), metade diminuiu o número de cigarros que fumava por dia.

A autoridade americana reguladora do medicamento e alimentação, Food and Drug Administration (FDA), já emitiu um certificado para utilização deste sistema de ondas magnéticas no tratamento da depressão.

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