Tuesday, July 31, 2012

Álcool e Drogas

  Álcool e DrogasO Uso de substâncias com efeitos psíquicos é conhecido em praticamente todas as épocas e em todas as civilizações, alguns usam com finalidade religiosa, outros medicinais e até recreativos.

A principal característica do álcool e das outras substâncias psicoativas é de produzir uma sensação prazerosa de forma solitária ou na interação social.

Algumas características são comuns a quase todas essas substâncias. Elas tendem a causar dependência(uma necessidade emocional ou física) e elas podem causar tolerância (necessidade de doses maiores para obter os mesmos efeitos). A dependência também pode incluir a síndrome de retirada ou abstinência.

Comumente se diferencia o uso, o abuso e a dependência. Além disso, podem ser estudados os efeitos da intoxicação e da abstinência, bem como outras síndromes decorrentes do uso/abuso/dependência de substâncias.

As drogas podem ser classificadas de diversas formas, desde sua composição química e mecanismo de ação, até seus efeitos (excitatórios, inibitórios, alucinogênicos, etc)no sistema nervoso.

De forma esquemática as principais drogas são:

Cocaína : substância que pode ser ingerida, cheirada (inalada), tem efeitos excitatórios, especialmente promovendo liberação de dopamina. Tem prevalência alta no Brasil e está frequentemente associada a criminalidade.

Crack: é uma forma impura de cocaína, geralmente fumada, feita a partir da mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. A fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos e seu efeito de euforia (mais forte do que o da cocaína) dura de 3 a 10 minutos, seguido de depressão, o que provocando intensa dependência.

Anfetamina e derivados: Também com efeitos excitatórios, uso frequente por adolescentes em festas e por pessoas que necessitam ficar acordadas por períodos prolongados.

Ópio e derivados: Inclui a heroína, droga importante nos EUA pela prevalência de uso. Menor no Brasil, mas crescendo. Trata-se de um depressor do sistema nervoso, incluindo efeitos analgésicos. Derivados presentes em medicações para dor que podem causar dependência.

Alucinógenos: substâncias cujo principal efeito é a indução de alucinações, frequentemente visuais. Inclui LSD, mescalina e psilocibina.

Maconha: Depressor do sistema nervoso central. É a substância ilegal mais utilizada no ocidente. Ela é frequentemente inalada (na forma de cigarro), mas pode ser ingerida também. Apresenta um efeito euforizante e desinibitório característicos.

Tabaco e cafeína: Substâncias estimulantes lícitas que podem causar dependência e consequências na saúde, mas sem efeitos entorpecentes (corte com a realidade).

Existe uma série de outras substâncias, incluindo medicações psicotrópicas receitadas para transtornos psiquiátricos que podem vir a causar uso abusivo e/ou dependência. Talvez a mais comum classe seja a dos benzodiazepínicos. O desenvolvimento de tolerância ou dependência geralmente é lento e desenvolve-se ao longo de anos de uso contínuo.


Alcoolismo

O alcoolismo merece menção especial por sua prevalência e por suas consequências, consistindo um verdadeiro problema de saúde pública e um causador de distúrbio social e familiar. Crimes e acidentes (especialmente de trânsito) estão não poucas vezes associados á intoxicação por álcool.

O Álcool é um depressor do sistema nervoso e tem vários mecanismos de ação propostos, incluindo ação no complexo de receptor GABA, bem como em receptores opióides. Sua absorção ocorre em 90% no estômago e o resto no intestino delgado. Sua metabolização é principalmente hepática (90%) sendo o restante eliminado pelos pulmões e rins.

A enzima que metaboliza o álcool no fígado é a álcool desidrogenase que o transforma em aldeído e depois em ácido acético, que é eliminado. A absorção é rápida e a meia vida está ao redor de 8 horas. O uso prolongado e repetido aumenta a capacidade enzimática e é um dos mecanismos de tolerância.

A intoxicação por álcool se manifesta inicialmente por uma desinibição, que é seguida de comportamento irritado ou até agressivo. Sintomas comuns são fala pastosa, ataxia, descoordenação motora, redução da atenção e concentração. De acordo com o grau de intoxicação poderá chegar até o coma e a morte.

A Abstinência ou síndrome de retirada, se manifesta com efeitos de hiperestimulação autonômica. Tremores (finos inicialmente até grosseiros em quadros mais graves) são típicos. Fotofobia, agitação psicomotora, taquicardia, hipertensão e alucinações são eventos comuns. Alucinações visuais são frequentes (liliputianas por exemplo, ou sensações epidérmicas).

A intoxicação não tem tratamento específico, mas apenas geral, incluindo hidratação. Reposição de glicose e complexo vitamínico estão indicados em casos onde há desnutrição crônica.

Outras alterações de comportamento associadas ao alcoolismo incluem a alucinose a síndrome de Wernicke e a síndrome de Korsakoff.

A alucinose consiste em alucinações (auditivas em geral) quando ocorre redução ou abstinência do uso. Tipicamente surgem com um sensório intacto (diferente da síndrome de abstinência, na qual há confusão mental) e são aliviadas com doses baixas de antipsicóticos.

A síndrome de Wernicke é causada pela falta de tiamina e se manifesta com a clássica tríade de confusão mental, ataxia e nistagmo (com oftalmoplegia). Trata-se de quadro grave que pode ser revertido com a administração de tiamina (geralmente também com Mg, cofator para o metabolismo).

A síndrome de Wernicke pode ser precipitada pela injeção endovenosa de glicose (esta utiliza tiamina para o seu metabolismo). Por isso deve-se administrar tiamina associada.

A síndrome de Korsakoff é uma evolução de S.Wernicke não tratada. Consiste em quadro demencial, principalmente com déficits de memória. Tipicamente, estes são “ilhas” de amnésia, algumas vezes preenchidas com confabulações. O prognóstico é reservado.

Tratamento inovador

O vício em drogas é um pesadelo para muitas famílias brasileiras, o comportamento de um viciado prejudica todo o convívio familiar e muitas vezes os parentes se sentem perdidos e não sabem o que fazer. É realmente um drama, um pesadelo. Por isso que pesquisas e novidades para o tratamento da dependência química devem ser comemorados.

A Estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) é uma técnica não-invasiva de neuroestimulação que já está aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para o tratamento da Depressão Bipolar/Unipolar e Esquizofrenia. Vem sendo amplamente estudada, inclusive para tratar dependência de drogas, com resultados animadores. Ela parece conter a necessidade das pessoas dependentes de cocaína e reorganizar o funcionamento cerebral.

Estudos iniciais já foram publicados utilizando a EMTr para o tratamento da dependência química com resultados promissores. Ensaios clínicos controlados estão em andamento e poderão comprovar a sua utilidade clínica.

Dr. Moacyr Rosa, diretor do IPAN.

No comments:

Post a Comment